COMPETÊNCIA: RELAÇÃO, CONCEITO E PRÁTICA
Clausir da Consolação Viana Greco
Geralda Magela Lara
Alunas do 2º Período do Curso Normal Superior, do Instituto Superior de Educação de Cláudio. ISEC7ISED
O compromisso com a construção da cidadania pede necessariamente uma prática educacional voltada para compreensão da realidade social e dos direitos e responsabilidades em relação à vida pessoal, coletiva, ambiental. Nessa perspectiva é que se faz necessário relacionar a esse compromisso a ética, a competência e a moral. O homem vive em sociedade, convive com outros homens, e portanto, cabe-lhe pensar e responder à seguinte pergunta: “como devo agir perante os outros?”. “Trata-se de uma pergunta fácil de ser respondida. Ora, esta é a questão central da moral e da ética. Tal reflexão pode ser feita a partir de RIOS (2001), quando a trata no seu livro: Ética e Competência”.
É objetivo deste texto apresentar os conceitos de Rios, para em seguida relacioná-los com o artigo de Ziraldo: A repetência é pura incompetência, publicado no caderno Cultural, do Jornal Estado de Minas, em setembro de 2002, que aponta na prática tais conceitos.
Para Rios, não é possível falar de competência sem relacioná-la com a moral e a ética, sendo moral um conjunto de valores, princípios, normas, regras que orientam a conduta dos indivíduos e grupos nas sociedades, e a ética, a reflexão crítica sobre a moral. Em seguida conceitua competência como saber fazer bem. O que torna complexo o conceito é o fato de que a competência exige uma dimensão técnica, ou seja, a capacidade de lidar com os conteúdos e a habilidade em construí-los e reconstruí-los; uma dimensão política, que diz respeito à participação na construção coletiva da sociedade e ao exercício de direitos e deveres; uma dimensão ética no sentido da ação fundada no princípio do respeito e da solidariedade, na direção da realização de um bem coletivo; e a dimensão estética que exige a presença da sensibilidade e a perspectiva da criação.
É o que reafirma (FREIRE, apud RIOS, 2001. p. 93) A Educação será tão mais plena quanto mais esteja sendo um ato de conhecimento, um ato político, um compromisso ético e experiência estética. Agora, um outro conceito trabalhado por ela é a questão da utopia, sendo esta algo que ainda não foi realizado e poderá tornar-se. Como diz a autora, o que ainda não é pode vir a ser. (Rios, 2001:74).
A importância da relação da utopia com a competência baseia-se em acreditar, projetar, refletir, analisar o contexto e esperar, este é o sentido de um trabalho competente e eficaz. Como afirma RIOS:
“Na direção do bem comum, da ampliação do poder de todos como condição de participação na construção coletiva da sociedade e da história, apresenta-se ao educador, como profissional, em meio à crise, a necessidade de responder ao desafio. Ele o fará tanto mais competentemente quanto mais garantir em seu trabalho, no entrecruzamento das dimensões que o constituem, a dimensão utópica. Esperança a caminho”. (RIOS, 2001:80)
Enquanto Rios trata do conceito de ética, Ziraldo demonstra a ética em seu artigo, quando reconhece a necessidade de respeito ao aluno. Destaca que “o menino deve ser olhado como uma coisa finita nele mesmo”. E o mesmo ainda diz que “o menino deve ser preparado para o presente não para o futuro”. (p.12) Nesse ponto os autores concordam que faz parte da ética o respeito e a percepção para com o outro, no sentido de valorização, o que, certamente, se ligaria à dimensão ética da competência.
Essa relação de concordância entre eles estende-se também no que diz respeito à competência, o conceito saber fazer bem. Enquanto Rios trata disso teoricamente, Ziraldo aponta na prática o mesmo, segundo ele, é importante estar atenta às diferenças individuais e às dificuldades específicas, o que não combina com avaliação para aprovação ou reprovação, o autor sugere uma avaliação contínua e diária, ou seja, o tempo todo. Novamente, fica fácil perceber a competência em sua dimensão política e ética.
A dimensão estética, utópica e ética é discutida ao longo do artigo de Ziraldo quando trata com sensibilidade e criatividade de possíveis soluções para o problema da repetência, embora torne utópica tais soluções por ainda não fazerem parte da realidade escolar. A competência do autor em reconhecer essa situação é o que Rios chamaria de “reflexão da ação”. E mais uma vez Ziraldo e Rios convergem na mesma linha de idéias.
A diferença entre eles estaria em relação à apresentação do artigo. Enquanto Rios apresenta conceitos, Ziraldo aponta na prática tais definições.
Portanto, vale lembrar que de um professor competente e ético exige-se criatividade, reflexão, coragem, querer fazer e acreditar que é possível mudar. Infelizmente, a escola ainda reproduz para a sociedade capitalista o que ela deseja, o que torna utópica uma escola transformadora e construtora da autonomia e de cidadãos. É necessário reconhecer tal situação, ser competente e querer transformá-la.
A educação, hoje, muitas vezes se faz no sentido de avaliar e punir comportamentos, achando-se os educadores no poder de classificar indivíduos como “fracos,” “inteligentes”, desrespeitando diferenças, sejam elas culturais, sócio-econômicas e étnicas. Um exemplo claro disso é a questão cultural; os “significados” são totalmente transmitidos, impostos, o que leva o educando a uma adaptação de significações preexistentes, não permitindo ao mesmo ser livre para conhecer as várias significações e compreendê-las a partir de suas vivências e poder eleger um sentido que envolva a sua existência. Nesse sentido, a escola reproduz, para a sociedade, pessoas (personagens), cada um cumpre seu imposto papel. Como então, pode-se dizer que a escola forma cidadãos, se ela não permite a liberdade de conhecer e ser reconhecido? Vale terminar com RIOS:
“Vale reafirmar que, para um professor competente, não basta dominar bem os conceitos de sua área. É preciso pensar criticamente no valor efetivo desses conceitos para inserção criativa dos sujeitos na sociedade. Não basta ser criativo é preciso exercer sua criatividade na construção do bem-estar coletivo. Não basta se comprometer politicamente, é preciso verificar o alcance desse compromisso, verificar se ele efetivamente dirige a ação no sentimento de uma vida digna e solidária”. (RIOS, 2001:108-109)
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
RIOS, Terezinha Azêredo. Dimensões da Competência. In: Compreender e Ensinar: por uma docência da melhor qualidade. 2 ed. São Paulo: Cortez, 2001, p. 93-109.
_____. Ética e Competência. São Paulo: Cortez, 2001, p. 82.
ZIRALDO. A repetência é pura incompetência. Estado de Minas. Belo Horizonte: 30 de setembro de 2002, Cultura, p. 12.
Fonte: Jornal Eletrônico - FUNED - UEMG -MG Acessado em 25/07/2010
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