Marcela Campos Fale conosco RSS Imprimir Enviar por email Receba notícias pelo celular Receba boletins Aumentar letra Diminuir letra Tecnologia da Informação e Comunicação. Ou simplesmente TIC, para os familiarizados com o assunto. Parece cada vez mais difícil ignorar essas três letrinhas nas escolas. Há muito tempo o giz e o quadro-negro deixaram de ser as únicas ferramentas à disposição do professor, que hoje pode utilizar computadores, sites, celulares e redes sociais com o objetivo de tornar o processo de aprendizagem mais atraente. Para usar esses recursos de forma produtiva, porém, os docentes precisam ser capacitados, de preferência quando ainda estão na graduação.
O problema é que a inclusão das TICs na formação inicial do professor não funciona tão rápido como um “torpedo”. Um estudo encomendado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) mostra que menos de 2% das disciplinas de cursos que formam professores são dedicados ao uso de tecnologias em sala de aula. Em Pedagogia, esse número é de apenas 0,7%. Entre as disciplinas optativas, 3,2% tratam especificamente de tecnologias.
ParticipaçãoVeja o peso das disciplinas dedicadas à tecnologia nos cursos de formação inicial de professores:
Pedagogia
Disciplinas obrigatórias: 3.107
Matérias de tecnologia: 22 (0,7 %)
Licenciatura em Letras: Língua Portuguesa
Disciplinas obrigatórias: 1.207
Matérias de tecnologia: 3 (0,2 %)
licenciatura em Matemática
Disciplinas obrigatórias: 1.128
Matérias de tecnologia: 18 (1,6 %)
Licenciatura em Ciências Biológicas
Disciplinas obrigatórias: 1.389
Matérias de tecnologia: 3 (0,2 %)
fonte: “Professores do Brasil: impasses e desafios” – Bernadete Angelina Gatti (coordenadora) e Elba Siqueira de Sá Barreto
Estes dados estão na pesquisa “Professores do Brasil: impasses e desafios” realizada em 2008 pela Fundação Carlos Chagas, que analisou o currículo de 165 cursos de Pedagogia e de licenciaturas em Letras: Língua Portuguesa, Matemática e Ciências Biológicas. Parte dos resultados foi apresentada em abril durante a conferência internacional “O impacto das TICs na educação”, realizada em Brasília.
Segundo o estudo, nas licenciaturas em Letras, Matemática e Biologia também existe uma proporção muito pequena de disciplinas obrigatórias dedicadas ao tema “tecnologia”. O assunto representa 0,2% das matérias de Letras e Ciências Biológicas, enquanto os cursos de Matemática dedicam 1,6% de suas disciplinas ao tema.
Uso pedagógico
De acordo com a cientista política Maria Inês Bastos, consultora da Unesco, além de os conhecimentos relacionados às TICs estarem praticamente ausentes dos cursos de formação de professores, as disciplinas sobre o tema muitas vezes fornecem somente fundamentos da computação.
Ela enfatiza que não basta saber enviar e-mails, utilizar softwares ou operar equipamentos. O futuro professor deve aprender como usar as tecnologias para facilitar e enriquecer o aprendizado. “É um avanço os cursos de formação terem disciplinas na área das TICs, mas esses conteúdos não são articulados com a atividade futura em sala de aula”, afirma.
Segundo Leila Iannone, especialista em novas tecnologias para a educação e também consultora da Unesco, a TIC normalmente é usada para ilustrar o que o professor diz ou como simples meio para obter informações, quando deveria estimular a autonomia e autoria dos estudantes. “Em vez de apenas coletar informações que encontra em mecanismos de busca, o estudante poderia complementar as pesquisas com entrevistas e elaborar uma síntese, ou fazer um texto mais autoral”, exemplifica.
Para Guilherme Canela, coordenador de comunicação e informação da Unesco no Brasil, a cópia de informações sempre existiu. Mas atualmente o estudante não procura o conhecimento bem estruturado nas enciclopédias e nos livros didáticos, e sim no imenso universo da internet, que nem sempre traz dados confiáveis. Portanto, tem de reaprender a estudar e o professor, a ensinar. “O volume de informações potencializa o problema. É preciso aprender a separar o joio do trigo”, afirma.
* A repórter viajou a Brasília a convite da Unesco



Nenhum comentário:
Postar um comentário