"Ame a todos, confie em poucos. Não seja injusto com ninguém." William Shakespeare

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Senhor esteja à minha frente p/ me iluminar, atrás p/ me proteger e ao meu lado p/ me amparar.

Senhor esteja à minha frente p/ me iluminar, atrás p/ me proteger e ao meu lado p/ me amparar.
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"Senhor, dê-me serenidade para aceitar as coisas que não posso mudar,a coragem para mudar as coisas que não posso aceitar e a sabedoria para esconder os corpos daquelas pessoas que eu tive que matar por estarem me enchendo o saco. Também, me ajude a ser cuidadoso com os calos em que piso hoje, pois eles podem estar conectados aos sacos que terei que puxar amanhã. Ajude-me, sempre, a dar 100% no meu trabalho... - 12% na segunda-feira, - 23% na terça-feira, - 40% na quarta-feira, - 20% na quinta-feira, - 5% na sexta-feira. E... Ajude-me sempre a lembrar, quando estiver tendo um dia realmente ruim e todos parecerem estar me enchendo o saco,que são necessários 42 músculos para socar alguém e apenas 4 para estender meu dedo médio e mandá-lo para aquele lugar... Que assim seja!!! Viva todos os dias de sua vida como se fosse o último. Um dia, você acerta. Luís Fernando Veríssimo

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Mulheres Independentes “Sou dona de mim, da minha vida e do meu destino Sigo meu bom senso, minha razão, minha emoção e minha sede de ser livre Bom é viver assim, sem amarras, sem apego ao passado e Sem preocupação com questões que ainda não foram superadas, Pois o mundo ainda precisa evoluir muito, há muito o que Superar... Eu penso, reflito e analiso Sou um ser em constante mutação Sou “Eu Mesma”, mas não sou “Sempre a Mesma” Não sou normal, pois ser normal é chato É repetitivo, e EU gosto de transformações Gosto de olhar por vários prismas e Mudar de opinião, de gosto, etc. A mudança não é somente física, Mas também é abstrata e intrínseca A beleza e juventude se vão Mas o conteúdo da alma permanece ...” texto de Lúcia Martins filhos:não etnia: todas religião:Cristão/outro visão política:depende humor: cáustico orientação sexual: heterossexual estilo: casual fumo: não bebo:de vez em quando, adoooro vinho animais de estimação: adoro cães

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UM ATO DE AMOR


Um dia meu corpo estará deitado sobre um lençol branco, cuidadosamente introduzido sob os quatro cantos de um colchão, num hospital extremamente atarefado com os que ainda vivem e com os que estão morrendo;
Em um dado momento, um médico dirá que meu cérebro deixou de funcionar e que minha vida se extinguiu.
Quando isso acontecer, não tentem instalar vida artificial em meu corpo, com o uso de uma máquina e não chamem a isso de meu “leito de morte” deixem que ele seja chamado de" leito de vida', e deixem meu corpo retirado dele para ajudar os outros levarem vidas mais felizes.
Dêem minha visão a alguém que jamais viu o raiar do sol, o rosto de uma criança ou o amor nos olhos de uma outra pessoa.
Dêem meu coração a uma pessoa cujo coração apenas experimentou dias infindáveis de dor.Dêem meu coração ao jovem que foi retirado dos destroços de seu carro, para que ele possa viver para ver seus netos brincarem.
Dêem meus rins a alguem que depende de uma máquina para viver de semana a semana.Retirem meus ossos, cada músculo cada fibra e nervo do meu corpo e encontrem um meio para fazer uma criança aleijada caminhar, explorarem cada canto do meu cérebro.Retirem minhas células se necessário e deixem crescer para que algum dia um menino mudo possa gritar com o canto de um pássaro e uma menina surda possa ouvir o barulho da chuva de encontro à sua janela.Queimem o que restar de mim e espalhem cinzas ao vento para ajudar as flores a brotarem.
Se tiverem que enterrar algo, que sejam os meus erros, minhas fraquezas e todo o mal que fiz contra os meus semelhantes.
Dêem meus pecados ao diabo e dêem minha alma a Deus.Se por acaso desejarem lembrar-se de mim façam-no com uma ação ou palavra amiga a alguém que precisa de vocês.

Se fizerem tudo que pedi, estarei vivo para sempre...

Fonte: autor desconhecido.
Quem souber o autor do texto por gentileza informar-me para que eu possa dar-lhe o devido crédito.

Aos especias ... Clarice Lispector

"Já escondi um AMOR com medo de perdê-lo, já perdi um AMOR por escondê-lo.
Já segurei nas mãos de alguém por medo, já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos.
Já expulsei pessoas que amava de minha vida, já me arrependi por isso.
Já passei noites chorando até pegar no sono, já fui dormir tão feliz, ao ponto de nem conseguir fechar os olhos.
Já acreditei em amores perfeitos, já descobri que eles não existem.
Já amei pessoas que me decepcionaram, já decepcionei pessoas que me amaram.
Já passei horas na frente do espelho tentando descobrir quem sou, já tive tanta certeza de mim, ao ponto de querer sumir.
Já menti e me arrependi depois, já falei a verdade e também me arrependi.
Já fingi não dar importância às pessoas que amava, para mais tarde chorar quieta em meu canto.
Já sorri chorando lágrimas de tristeza, já chorei de tanto rir.
Já acreditei em pessoas que não valiam a pena, já deixei de acreditar nas que realmente valiam.
Já tive crises de riso quando não podia.
Já quebrei pratos, copos e vasos, de raiva.
Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse.
Já gritei quando deveria calar, já calei quando deveria gritar.
Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns, outras vezes falei o que não pensava para magoar outros.
Já fingi ser o que não sou para agradar uns, já fingi ser o que não sou para desagradar outros.
Já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um amigo feliz.
Já inventei histórias com final feliz para dar esperança a quem precisava.
Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade... Já tive medo do escuro, hoje no escuro "me acho, me agacho, fico ali".
Já cai inúmeras vezes achando que não iria me reerguer, já me reergui inúmeras vezes achando que não cairia mais.
Já liguei para quem não queria apenas para não ligar para quem realmente queria.
Já corri atrás de um carro, por ele levar embora, quem eu amava.
Já chamei pela mamãe no meio da noite fugindo de um pesadelo. Mas ela não apareceu e foi um pesadelo maior ainda.
Já chamei pessoas próximas de "amigo" e descobri que não eram... Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada e sempre foram e serão especiais para mim.
Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração!
Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente!
Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra SEMPRE!
Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes.
Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco q eu vou dizer:
- E daí? EU ADORO VOAR!
Clarice Lispector

Canção das Mulheres - Lia Luft

Que o outro saiba quando estou com medo, e me tome nos braços sem fazer perguntas demais. Que o outro note quando preciso de silêncio e não vá embora batendo a porta, mas entenda que não o amarei menos porque estou quieta. Que o outro aceite que me preocupo com ele e não se irrite com minha solicitude, e se ela for excessiva saiba me dizer isso com delicadeza ou bom humor. Que o outro perceba minha fragilidade e não ria de mim, nem se aproveite disso. Que se eu faço uma bobagem o outro goste um pouco mais de mim, porque também preciso poder fazer tolices tantas vezes. Que se estou apenas cansada o outro não pense logo que estou nervosa, ou doente, ou agressiva, nem diga que reclamo demais. Que o outro sinta quanto me doia ideia da perda, e ouse ficar comigo um pouco - em lugar de voltar logo à sua vida. Que se estou numa fase ruim o outro seja meu cúmplice, mas sem fazer alarde nem dizendo ''Olha que estou tendo muita paciência com você!''Que quando sem querer eu digo uma coisa bem inadequada diante de mais pessoas, o outro não me exponha nem me ridicularize. Que se eventualmente perco a paciência, perco a graça e perco a compostura, o outro ainda assim me ache linda e me admire. Que o outro não me considere sempre disponível, sempre necessariamente compreensiva, mas me aceite quando não estou podendo ser nada disso. Que, finalmente, o outro entenda que mesmo se às vezes me esforço, não sou, nem devo ser, a mulher-maravilha, mas apenas uma pessoa: vulnerável e forte, incapaz e gloriosa, assustada e audaciosa - uma mulher.

Canção na plenitude. Lya Luft/ Magníco texto, maravilhosa mulher.

Não tenho mais os olhos de menina nem corpo adolescente, e a pele translúcida há muito se manchou. Há rugas onde havia sedas, sou uma estrutura agrandada pelos anos e o peso dos fardos bons ou ruins.(Carreguei muitos com gosto e alguns com rebeldia.)
O que te posso dar é mais que tudo o que perdi: dou-te os meus ganhos.
A maturidade que consegue rir quando em outros tempos choraria,busca te agradar quando antigamente quereria apenas ser amada.
Posso dar-te muito mais do que beleza e juventude agora: esses dourados anos me ensinaram a amar melhor, com mais paciência e não menos ardor, a entender-te se precisas, a aguardar-te quando vais,a dar-te regaço de amante e colo de amiga,e sobretudo força — que vem do aprendizado.

Isso posso te dar: um mar antigo e confiável cujas marés — mesmo se fogem — retornam,cujas correntes ocultas não levam destroços mas o sonho interminável das sereias.

Texto acima foi extraído do livro "Secreta Mirada", Editora Mandarim - São Paulo, 1997, pág. 151. Lya Luft

Para se roubar um coração

Para se roubar um coração, é preciso que seja com muita habilidade, tem que ser vagarosamente, disfarçadamente, não se chega com ímpeto, não se alcança o coração de alguém com pressa. Tem que se aproximar com meias palavras, suavemente, apoderar-se dele aos poucos, com cuidado. Não se pode deixar que percebam que ele será roubado, na verdade, teremos que furtá-lo, docemente. Conquistar um coração de verdade dá trabalho, requer paciência, é como se fosse tecer uma colcha de retalhos, aplicar uma renda em um vestido, tratar de um jardim, cuidar de uma criança. É necessário que seja com destreza, com vontade, com encanto, carinho e sinceridade. Para se conquistar um coração definitivamente tem que ter garra e esperteza, mas não falo dessa esperteza que todos conhecem, falo da esperteza de sentimentos, daquela que existe guardada na alma em todos os momentos. Quando se deseja realmente conquistar um coração, é preciso que antes já tenhamos conseguido conquistar o nosso, é preciso que ele já tenha sido explorado nos mínimos detalhes, que já se tenha conseguido conhecer cada cantinho, entender cada espaço preenchido e aceitar cada espaço vago. ...e então, quando finalmente esse coração for conquistado, quando tivermos nos apoderado dele, vai existir uma parte de alguém que seguirá conosco. Uma metade de alguém que será guiada por nós e o nosso coração passará a bater por conta desse outro coração. Eles sofrerão altos e baixos sim, mas com certeza haverá instantes, milhares de instantes de alegria. Baterá descompassado muitas vezes e sabe por que? Faltará a metade dele que ainda não está junto de nós. Até que um dia, cansado de estar dividido ao meio, esse coração chamará a sua outra parte e alguém por vontade própria, sem que precisemos roubá-la ou furtá-la nos entregará a metade que faltava. ... e é assim que se rouba um coração, fácil não? Pois é, nós só precisaremos roubar uma metade, a outra virá na nossa mão e ficará detectado um roubo então! E é só por isso que encontramos tantas pessoas pela vida a fora que dizem que nunca mais conseguiram amar alguém... é simples... é porque elas não possuem mais coração, eles foram roubados, arrancados do seu peito, e somente com um grande amor ela terá um novo coração, afinal de contas, corações são para serem divididos, e com certeza esse grande amor repartirá o dele com você. Luís Fernando Veríssimo

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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

APRENDI - Charles Chaplin

APRENDI

Aprendi que eu não posso exigir o amor de ninguém, posso apenas dar boas razões para que gostem de mim e ter paciência, para que a vida faça o resto. Aprendi que não importa o quanto certas coisas sejam importantes para mim, tem gente que não dá a mínima e eu jamais conseguirei convencê-las. Aprendi que posso passar anos construindo uma verdade e destruí-la em apenas alguns segundos. Que posso usar meu charme por apenas 15 minutos, depois disso, preciso saber do que estou falando. Eu aprendi... Que posso fazer algo em um minuto e ter que responder por isso o resto da vida. Que por mais que se corte um pão em fatias, esse pão continua tendo duas faces, e o mesmo vale para tudo o que cortamos em nosso caminho. Aprendi... Que vai demorar muito para me transformar na pessoa que quero ser, e devo ter paciência. Mas, aprendi também, que posso ir além dos limites que eu próprio coloquei. Aprendi que preciso escolher entre controlar meus pensamentos ou ser controlado por eles. Que os heróis são pessoas que fazem o que acham que devem fazer naquele momento, independentemente do medo que sentem. Aprendi que perdoar exige muita prática. Que há muita gente que gosta de mim, mas não consegue expressar isso. Aprendi... Que nos momentos mais difíceis a ajuda veio justamente daquela pessoa que eu achava que iria tentar piorar as coisas. Aprendi que posso ficar furioso, tenho direito de me irritar, mas não tenho o direito de ser cruel. Que jamais posso dizer a uma criança que seus sonhos são impossíveis, pois seria uma tragédia para o mundo se eu conseguisse convencê-la disso. Eu aprendi que meu melhor amigo vai me machucar de vez em quando, que eu tenho que me acostumar com isso. Que não é o bastante ser perdoado pelos outros, eu preciso me perdoar primeiro. Aprendi que, não importa o quanto meu coração esteja sofrendo, o mundo não vai parar por causa disso. Eu aprendi... Que as circunstâncias de minha infância são responsáveis pelo que eu sou, mas não pelas escolhas que eu faço quando adulto. Aprendi que numa briga eu preciso escolher de que lado estou, mesmo quando não quero me envolver. Que, quando duas pessoas discutem, não significa que elas se odeiem; e quando duas pessoas não discutem não significa que elas se amem. Aprendi que por mais que eu queira proteger os meus filhos, eles vão se machucar e eu também. Isso faz parte da vida. Aprendi que a minha existência pode mudar para sempre, em poucas horas, por causa de gente que eu nunca vi antes. Aprendi também que diplomas na parede não me fazem mais respeitável ou mais sábio. Aprendi que as palavras de amor perdem o sentido, quando usadas sem critério. E que amigos não são apenas para guardar no fundo do peito, mas para mostrar que são amigos. Aprendi que certas pessoas vão embora da nossa vida de qualquer maneira, mesmo que desejemos retê-las para sempre. Aprendi, afinal, que é difícil traçar uma linha entre ser gentil, não ferir as pessoas, e saber lutar pelas coisas em que acredito."

"Charles Chaplin"

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

AOS ESPECIAIS - Clarice Lispector

"Já escondi um AMOR com medo de perdê-lo, já perdi um AMOR por escondê-lo.
Já segurei nas mãos de alguém por medo, já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos.
Já expulsei pessoas que amava de minha vida, já me arrependi por isso.
Já passei noites chorando até pegar no sono, já fui dormir tão feliz, ao ponto de nem conseguir fechar os olhos.
Já acreditei em amores perfeitos, já descobri que eles não existem.
Já amei pessoas que me decepcionaram, já decepcionei pessoas que me amaram.
Já passei horas na frente do espelho tentando descobrir quem sou, já tive tanta certeza de mim, ao ponto de querer sumir.
Já menti e me arrependi depois, já falei a verdade e também me arrependi.
Já fingi não dar importância às pessoas que amava, para mais tarde chorar quieta em meu canto.
Já sorri chorando lágrimas de tristeza, já chorei de tanto rir.
Já acreditei em pessoas que não valiam a pena, já deixei de acreditar nas que realmente valiam.
Já tive crises de riso quando não podia.
Já quebrei pratos, copos e vasos, de raiva.
Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse.
Já gritei quando deveria calar, já calei quando deveria gritar.
Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns, outras vezes falei o que não pensava para magoar outros.
Já fingi ser o que não sou para agradar uns, já fingi ser o que não sou para desagradar outros.
Já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um amigo feliz.
Já inventei histórias com final feliz para dar esperança a quem precisava.
Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade... Já tive medo do escuro, hoje no escuro "me acho, me agacho, fico ali".
Já cai inúmeras vezes achando que não iria me reerguer, já me reergui inúmeras vezes achando que não cairia mais.
Já liguei para quem não queria apenas para não ligar para quem realmente queria.
Já corri atrás de um carro, por ele levar embora, quem eu amava.
Já chamei pela mamãe no meio da noite fugindo de um pesadelo. Mas ela não apareceu e foi um pesadelo maior ainda.
Já chamei pessoas próximas de "amigo" e descobri que não eram... Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada e sempre foram e serão especiais para mim.
Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração!
Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente!
Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra SEMPRE!
Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes.
Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco q eu vou dizer:
- E daí? EU ADORO VOAR!
Clarice Lispector

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Tributo ao professor Kássio Vinícius Castro Gomes

J’ACUSE !!!

(Eu acuso !)

(Tributo ao professor Kássio Vinícius Castro Gomes)

« Mon devoir est de parler, je ne veux pas être
(Émile Zola)

Meu dever é falar, não quero ser cúmplice. (...)
(Émile Zola)

Foi uma tragédia fartamente anunciada. Em milhares de casos,
desrespeito. Em outros tantos, escárnio. Em Belo Horizonte, um
estudante processa a escola e o professor que lhe deu notas baixas,
alegando que teve danos morais ao ter que virar noites estudando
para a prova subsequente. (Notem bem: o alegado “dano moral” do
estudante foi ter que... estudar!).

A coisa não fica apenas por aí. Pelo Brasil afora, ameaças
constantes. Ainda neste ano, uma professora brutalmente espancada
por um aluno. O ápice desta escalada macabra não poderia ser
outro.

O professor Kássio Vinícius Castro Gomes pagou com sua vida, com
seu futuro, com o futuro de sua esposa e filhas, com as lágrimas
eternas de sua mãe, pela irresponsabilidade que há muito vem
tomando conta dos ambientes escolares.

Há uma lógica perversa por trás dessa asquerosa escalada. A
promoção do desrespeito aos valores, ao bom senso, às regras
de bem viver e à autoridade foi elevada a método de ensino e
imperativo de convivência supostamente democrática.

No início, foi o maio de 68, em Paris: gritava-se nas ruas que “era
proibido proibir”. Depois, a geração do “não bate, que traumatiza”.
A coisa continuou: “Não reprove, que atrapalha”. Não dê provas
difíceis, pois “temos que respeitar o perfil dos nossos alunos”.
Aliás, “prova não prova nada”. Deixe o aluno “construir seu
conhecimento.” Não vamos avaliar o aluno. Pensando bem, “é
o aluno que vai avaliar o professor”. Afinal de contas, ele está
pagando...

E como a estupidez humana não tem limite, a avacalhação geral
epidêmica, travestida de “novo paradigma” (Irc!), prosseguiu a todo
vapor, em vários setores: “o bandido é vítima da sociedade”, “temos
que mudar ‘tudo isso que está aí’; “mais importante que ter
conhecimento é ser ‘crítico’.”

Claro que a intelectualidade rasa de pedagogos de panfleto
e burocratas carreiristas ganhou um imenso impulso com a
mercantilização desabrida do ensino: agora, o discurso anti-disciplina
é anabolizado pela lógica doentia e desonesta da paparicação ao
aluno – cliente...

Estamos criando gerações em que uma parcela considerável de
nossos cidadãos é composta de adultos mimados, despreparados
para os problemas, decepções e desafios da vida, incapazes de lidar
com conflitos e, pior, dotados de uma delirante certeza de que “o
mundo lhes deve algo”.

Um desses jovens, revoltado com suas notas baixas, cravou uma
faca com dezoito centímetros de lâmina, bem no coração de um
professor. Tirou-lhe tudo o que tinha e tudo o que poderia vir a ter,
sentir, amar.

Ao assassino, corretamente , deverão ser concedidos todos os
direitos que a lei prevê: o direito ao tratamento humano, o direito à
ampla defesa, o direito de não ser condenado em pena maior do
que a prevista em lei. Tudo isso, e muito mais, fará parte do devido
processo legal, que se iniciará com a denúncia, a ser apresentada
pelo Ministério Público. A acusação penal ao autor do homicídio
covarde virá do promotor de justiça. Mas, com a licença devida ao
célebre texto de Emile Zola, EU ACUSO tantos outros que estão por
trás do cabo da faca:

EU ACUSO a pedagogia ideologizada, que pretende relativizar tudo
e todos, equiparando certo ao errado e vice-versa;

EU ACUSO os pseudo-intelectuais de panfleto, que romantizam
a “revolta dos oprimidos”e justificam a violência por parte daqueles
que se sentem vítimas;

EU ACUSO os burocratas da educação e suas cartilhas do
politicamente correto, que impedem a escola de constar faltas graves
no histórico escolar, mesmo de alunos criminosos, deixando-os livres
para tumultuar e cometer crimes em outras escolas;

EU ACUSO a hipocrisia de exigir professores com mestrado e
doutorado, muitos dos quais, no dia a dia, serão pressionados a
dar provas bem tranqüilas, provas de mentirinha, para “adequar a
avaliação ao perfil dos alunos”;

EU ACUSO os últimos tantos Ministros da Educação, que em
nome de estatísticas hipócritas e interesses privados, permitiram a
proliferação de cursos superiores completamente sem condições,
freqüentados por alunos igualmente sem condições de ali estar;

EU ACUSO a mercantilização cretina do ensino, a venda de
diplomas e títulos sem o mínimo de interesse e de responsabilidade
com o conteúdo e formação dos alunos, bem como de suas futuras
missões na sociedade;

EU ACUSO a lógica doentia e hipócrita do aluno-cliente, cada vez
menos exigido e cada vez mais paparicado e enganado, o qual, finge
que não sabe que, para a escola que lhe paparica, seu boleto hoje
vale muito mais do que seu sucesso e sua felicidade amanhã;

EU ACUSO a hipocrisia das escolas que jamais reprovam seus
alunos, as quais formam analfabetos funcionais só para maquiar
estatísticas do IDH e dizer ao mundo que o número de alunos com
segundo grau completo cresceu “tantos por cento”;

EU ACUSO os que aplaudem tais escolas e ainda trabalham pela
massificação do ensino superior, sem entender que o aluno que
ali chega deve ter o mínimo de preparo civilizacional, intelectual e
moral, pois estamos chegando ao tempo no qual o aluno “terá direito”
de se tornar médico ou advogado sem sequer saber escrever, tudo
para o desespero de seus futuros clientes-cobaia;

EU ACUSO os que agora falam em promover um “novo paradigma”,
uma “ nova cultura de paz”, pois o que se deve promover é a boa
e VELHA cultura da “vergonha na cara”, do respeito às normas,
à autoridade e do respeito ao ambiente universitário como um
ambiente de busca do conhecimento;

EU ACUSO os “cabeça – boa” que acham e ensinam que disciplina
é “careta”, que respeito às normas é coisa de velho decrépito,

EU ACUSO os métodos de avaliação de professores, que se
tornaram templos de vendilhões, nos quais votos são comprados e
vendidos em troca de piadinhas, sorrisos e notas fáceis;

EU ACUSO os alunos que protestam contra a impunidade dos
políticos, mas gabam-se de colar nas provas, assim como ACUSO
os professores que, vendo tais alunos colarem, não têm coragem de
aplicar a devida punição.

EU VEEMENTEMENTE ACUSO os diretores e coordenadores
que impedem os professores de punir os alunos que colam, ou
pretendem que os professores sejam “promoters” de seus cursos;

EU ACUSO os diretores e coordenadores que toleram condutas
desrespeitosas de alunos contra professores e funcionários, pois sua
omissão quanto aos pequenos incidentes é diretamente responsável
pela ocorrência dos incidentes maiores;

Uma multidão de filhos tiranos que se tornam alunos -clientes,
serão despejados na vida como adultos eternamente infantilizados
e totalmente despreparados, tanto tecnicamente para o exercício
da profissão, quanto pessoalmente para os conflitos, desafios e
decepções do dia a dia.
Ensimesmados em seus delírios de perseguição ou de grandeza,
estes jovens mostram cada vez menos preparo na delicada e
 essencial arte que é lidar com aquele ser complexo e imprevisível
que podemos chamar de “o outro”.

A infantilização eterna cria a seguinte e horrenda lógica, hoje na

cabeça de muitas crianças em corpo de adulto: “Se eu tiro nota
baixa, a culpa é do professor. Se não enho dinheiro, a culpa é do
patrão. Se me drogo, a culpa é dos meus pais. Se furto, roubo, mato,
a culpa é do sistema. Eu, sou apenas uma vítima. Uma eterna vítima.
O opressor é você, que trabalha, paga suas contas em dia e vive sua
vida. Minhas coisas não saíram como eu queria. Estou com muita
raiva. Quando eu era criança, eu batia os pés no chão. Mas agora,
fisicamente, eu cresci. Portanto, você pode ser o próximo.”

Qualquer um de nós pode ser o próximo, por qualquer motivo.
Em qualquer lugar, dentro ou fora das escolas. A facada ignóbil
no professor Kássio dói no peito de todos nós. Que a sua morte
não seja em vão. É hora de repensarmos a educação brasileira
e abrirmos mão dos modismos e invencionices. A melhor “nova
cultura de paz” que podemos adotar nas escolas e universidades é
fazermos as pazes com os bons e velhos conceitos de seriedade,
responsabilidade, disciplina e estudo de verdade.

Igor Pantuzza Wildmann
Advogado – Doutor em Direito. Professor universitário.

O Plano Nacional da Educação e o papel da sociedade no processo de sua construção coletiva

O Plano Nacional da Educação e o papel da sociedade no processo de sua construção coletiva



João Roberto Moreira Alves (*)

O primeiro Plano Nacional de Educação foi elaborado em 1962 pelo Conselho Federal de Educação, atendendo às disposições da Constituição Federal de 1946 e da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1961.

É um documento raro elaborado por um grupo de educadores, tendo à frente Anísio Teixeira. No momento de sua entrega ao então Ministro da Educação, Darcy Ribeiro, discursaram o Professor Deolindo Couto, então Presidente do CFE e Dom Helder Câmara, então conselheiro.

O PNE foi observado apenas nos anos de 1962 e 1963 tendo em vista a Revolução de 1964 que estabeleceu novas metas para a educação brasileira.

Não obstante é um documento histórico eis que muitos dos seus ideais ficaram perpetuados na memória dos que lutam por um desenvolvimento da sociedade e do país.

O segundo projeto do PNE foi elaborado por dois grupos: o primeiro, através de diversos subgrupos, convidados pelo Ministério da Educação que realizaram várias reuniões e verificaram os capítulos específicos de suas áreas de interesse; já o segundo, reuniu assessores de Deputados Federais que expressaram suas propostas por meio de outro documento.

Ambos foram protocolados na Câmara dos Deputados praticamente na mesma época, sendo que o do Legislativo tomou número menor, face seu ingresso em primeiro lugar.

Os textos foram analisados pela Comissão de Educação e receberam diversas emendas, vindo a ser elaborado um substitutivo pelo Deputado Nelson Marchezan que, aprovado, foi enviado ao Plenário da Câmara, merecendo aprovação em final de maio de 2000, possibilitando a remessa para o Senado Federal que promoveu sua revisão.

No Senado Federal recebeu poucas mudanças, sendo relator o senador José Jorge.

Foi transformado na lei n° 10.172, de 9 de janeiro de 2001, prevendo a duração de dez anos.

Ficou estabelecido que, partir da vigência da lei, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios deveriam, com base no Plano Nacional de Educação, elaborar planos decenais correspondentes. Também definiu que a União, em articulação com os entes federativos e a sociedade civil, procederiam as avaliações periódicas de sua implementação.

O Poder Legislativo, por intermédio das Comissões de Educação, Cultura e Desporto da Câmara do Deputados e da Comissão de Educação do Senado Federal, acompanhariam a execução. A primeira avaliação realizar-se-ia no quarto ano de vigência. Caberia ao Congresso Nacional aprovar as medidas legais decorrentes, com vistas à correção de deficiências e distorções.

Nada praticamente foi feito exceto pela União que instituiu o do Sistema Nacional de Avaliação, com maior ênfase na educação superior.

Dizia à lei que os Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios empenhar-se-iam na divulgação do Plano e na progressiva realização de seus objetivos e metas, para que a sociedade o conheça amplamente e acompanhe sua implementação.

No documento anexo ao Plano mais de uma centena de objetivos e metas, foram estabelecidos, distribuídos pelos diversos níveis e modalidades. Em dois conjuntos finais foram abordados tópicos sobre o magistério da educação básica e acerca do financiamento e gestão.

Dez anos se passaram o Executivo Federal praticamente abandonou o PLN; alguns novos projetos de seu interesse foram criados, como o Plano de Desenvolvimento da Educação, completamente descontextualizado com a lei. Aliás, essa tem sido a tônica do atual governo que descumpre os instrumentos normativos e edita decretos e portarias que afrontam a lei e a Constituição Federal.

Por decorrência os Estados não fizeram os Planos Estaduais de Educação. O último levantamento mostra que em dezesseis unidades federativas não há o plano. A quase totalidade dos municípios seguiu o mesmo exemplo e atualmente são poucos os que estabeleceram suas metas decenais.

Aproximando-se o fim de vigência do PNE o Ministério da Educação resolveu lançar a Conferência Nacional de Educação, organizando-a em diversas estratificações: primeiramente a municipal, depois a estadual e por último a nacional.

O processo foi democrático, com a participação de um número incontável de pessoas e organizações. O Executivo financiou a maior parte do trabalho e, em primeiro de abril de 2010, foi elaborado um documento final, com indicadores que deveriam ser incorporados ao texto do projeto de lei.

Decorridos oito meses e quinze dias, o Executivo apresenta à sociedade e remete ao Congresso Nacional o Projeto de Lei do PNE para o decênio 2011/2020.

O novo PNE apresenta dez diretrizes objetivas e vinte metas, seguidas de mais de uma centena de estratégias específicas de concretização. O texto prevê formas de a sociedade monitorar e cobrar cada uma das conquistas previstas. As metas, segundo a exposição de motivos assinada pelo ministro da Educação, seguem o modelo de visão sistêmica da educação estabelecido em 2007 com a criação do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE). Na afirmativa do titular da pasta, tanto as metas quanto as estratégias premiam iniciativas para todos os níveis, modalidades e etapas educacionais. Além disso, há estratégias específicas para a inclusão de minorias, como alunos com deficiência, indígenas, quilombolas, estudantes do campo e alunos em regime de liberdade assistida. Das vinte metas pelo menos seis são iguais ou aumentaram um pouco os objetivos, se compararmos com o PNE da década 2001/2010.

O projeto do Plano teve sua redação final nos bastidores do MEC. Seus redatores, apesar de não terem a projeção dos educadores do pioneiro PNE, se esforçaram ao máximo para atender às diretrizes do órgão. Observou, como não poderia deixar de ser, algumas das linhas gerais finalizadas pela Conferência Nacional de Educação, entretanto privilegiou o PAC da Educação, que não atingiu plenamente os fins desejados pelo Poder Público.

Esse distanciamento não agradou vários segmentos da sociedade que foram convidadas a participar da Conferência, promoveram inúmeras reuniões, aprovaram as propostas e não viram contemplados plenamente as decisões no projeto. Os pontos esquecidos ou minimizados deverão voltar, sob forma de emendas parlamentares, na Câmara dos Deputados ou no Senado Federal.

Consta, no texto de encaminhamento que "a primeira meta visa a universalizar, até 2016, o atendimento escolar da população de 4 e 5 anos, e ampliar a oferta de educação infantil de forma a atender a 50% da população de até 3 anos. Trata-se de objetivo imprescindível para assegurar aprendizado efetivo no ensino fundamental e médio, reduzindo a repetência e aumentando a taxa de sucesso na educação básica. Na educação básica, prevê-se, como meta 2, universalizar o ensino fundamental de nove anos para toda população de 6 a 14 anos; e, como meta 3, universalizar, até 2016, o atendimento escolar para toda a população de 15 a 17 anos e elevar, até o final da década, a taxa líquida de matrículas no ensino médio para 85%, nesta faixa etária. É fato notório que, em educação, a curva de esforço marginal após um dado estágio é crescente. Ou seja, atingido um determinado patamar, o esforço exigido para prosseguir torna-se ainda maior. A meta 6 exige a implantação de educação em tempo integral em metade das escolas públicas de educação básica, medida indispensável para a efetiva melhoria da educação básica pública. Por essa razão, estas quatro metas da educação básica podem ser consideradas estruturantes e radicalmente inclusivas. Estas metas são completadas pela meta 7, relativa ao IDEB, índice objetivo obtido a partir dos dados de rendimento escolar apurados pelo censo escolar da educação básica, combinados com os dados relativos ao desempenho dos estudantes apurados na avaliação nacional do rendimento escolar, como forma de acompanhar a melhoria do ensino.

Na meta 4, trata-se de universalizar, para a população de 4 a 17 anos, o atendimento escolar aos estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação na própria rede regular de ensino, aprofundando a política de educação inclusiva prevista na LDB.

A meta 8 traz uma missão central para o País nos próximos dez anos: reduzir a desigualdade educacional. Por essa razão, ela preceitua assegurar escolaridade mínima de 12 anos para as populações do campo, para a população das regiões de menor escolaridade e para os 25% mais pobres do país; e igualar a escolaridade média entre negros e não-negros, elevando a escolaridade média da população de 18 a 24 anos.

Somam-se à meta anterior as meta 9 e 10 do PNE, respectivamente voltadas a elevar a taxa de alfabetização da população com 15 anos ou mais para 93,5% até 2015 e erradicar, até o final da década, o analfabetismo absoluto e reduzir em 50% a taxa de analfabetismo funcional até o final da década; e à oferta de, no mínimo, 25% das matrículas de educação de jovens e adultos na forma integrada à educação profissional nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio.

Como é possível perceber, o cumprimento das metas 8, 9 e 10 exigirá esforço concentrado da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e somente poderá ser cumprida se o regime de colaboração for efetivamente eficaz na ampliação das oportunidades educacionais.

Seguindo a matriz conceitual da visão sistêmica da educação, a meta 11 propugna duplicar a matrícula em cursos técnicos de nível médio, assegurando a qualidade da oferta dos cursos. Trata-se de medida indispensável para ampliar a taxa de conclusão do ensino médio, bem como para formar recursos humanos voltados à profissionalização e à educação técnica. A formação técnica no Brasil é hoje uma exigência incontornável, à qual responde a expansão e a interiorização dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia.

No que diz respeito à educação superior, as metas 12 e 13 determinam a elevação da taxa bruta de matrícula na educação superior para 50% e a taxa líquida para 33% da população de 18 a 24 anos, assegurando a qualidade da oferta; e a qualificação do corpo docente em efetivo exercício nas instituições de educação superior de forma a alcançar, no mínimo, 35% (trinta e cinco por cento) de doutores e 40% (quarenta por cento) de mestres, com vistas à melhoria consistente e duradoura da qualidade da educação superior. A população de universitários no Brasil ainda é incipiente comparada a países como a Argentina ou o Chile. Por essa razão, é preciso expandir a rede de universidades e qualificar progressivamente a oferta da educação superior privada.

A meta 14 prevê, para a pós-graduação, a tarefa de atingir a titulação anual de 60 mil mestres e 25 mil doutores, como forma de estimular a produção de conhecimento científico e a consolidação da pesquisa acadêmica brasileira. Com efeito, é indispensável que a produção de conhecimento seja estimulada e fomentada profundamente, como parte não somente da qualificação de recursos humanos para a educação superior, mas também e, sobretudo para a formação de professores para atuar nas redes públicas educação básica.

As metas 15, 16, 17, 18 e 19 são dedicadas à valorização e formação dos profissionais da educação. Seria possível dizer que praticamente um quarto do PNE que atualmente levamos à consideração de V. Exa. dedica-se à melhoria das condições de trabalho dos profissionais da educação, seja garantindo formação inicial e continuada, seja assegurando condições salariais dignas, seja induzindo alterações estruturais nas secretarias de educação dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Destaca-se, neste sentido, a previsão para implantação de planos de carreira em todos os sistemas de ensino, bem como a garantia, por lei específica, que a nomeação comissionada de diretores de escola deverá estar vinculada a critérios técnicos de mérito e desempenho, bem como à participação popular. Com isso, pretende-se generalizar boas práticas que contribuem decisivamente para a qualidade da educação ministrada em sala de aula.

Por último, a questão do financiamento. A proposta de PNE advoga que o investimento público em educação seja ampliado progressivamente até atingir o patamar de 7% do produto interno bruto do País. Hoje, estamos em praticamente 5%. Trata-se, portanto, de um aumento considerável, mantido o atual ritmo de crescimento do produto interno bruto brasileiro. É claro que a disputa em torno da porcentagem adequada é conhecida e considerável. É por essa razão que a própria lei que estabelece o Plano recomenda que a meta de aplicação de recursos públicos em educação seja avaliada em 2015, pois é preciso compatibilizar o montante de investimentos necessários para fazer frente ao enorme esforço que o País precisa fazer para resgatar a dívida educacional histórica que nos caracteriza. Com isso, se à luz da evolução da execução do PNE for necessário rever a meta de financiamento, haverá previsão legal para tanto, a fim de que a execução do PNE não fique comprometida por insuficiência de recursos.

O projeto do Plano Nacional de Educação adia a promessa da nova Presidente da República, no tocante ao percentual do Produto Interno Bruto a ser aplicado na educação. A então candidata assegurava atingir os 7% no final de seu governo (2014), mas o projeto fala em chegar a esse número somente em 2010.

O PNE foi remetido à Câmara dos Deputados, onde será apreciado primeiramente na Comissão de Educação e Cultura. Recebeu o número 8.035, de 2010. Será relatora a Deputada Fátima Bezerra, do PT do Rio Grande do Norte.

O prazo de apresentação de emendas iniciou-se oficialmente em 23 de dezembro de 2010 e ficará aberto por cinco sessões da Comissão, contados da primeira que ocorrerá no próximo ano legislativo, que começa em primeiro de fevereiro de 2011.

Durante o mês de janeiro e nos primeiros dias de fevereiro os interessados em aperfeiçoar o projeto devem elaborar suas proposições e as encaminharem através de qualquer deputado federal.

O projeto é, segundo ficou estabelecido no despacho do presidente da Câmara, terminativo das Comissões temáticas, não indo necessariamente ao plenário. Depois será remetido ao Senado Federal, para a revisão.

Deverão ocorrer muitas audiências públicas e, com certeza, significativas mudanças. Tecnicamente poderá ser aprovado no primeiro semestre de 2011 e transformado em lei.

Durante a primeira fase do ano o Brasil ficará à deriva em termos de PNE eis que o anterior encerra sua vigência em 31 de dezembro de 2010 e o novo não terá sido aprovado. Durante essa fase o Executivo Federal poderá definir, a seu critério exclusivo, o que fazer no campo das políticas públicas da legislação. Nessa "vacancia legis" tudo o que for feito será, a princípio, válido.

A grande questão é saber se o plano melhorará a educação.

Para que existam melhores níveis na qualidade da educação é preciso que, em primeiro lugar, tenhamos um bom plano e a definição do texto que será transformado em lei não depende exclusivamente dos parlamentares, mas sim de uma forte pressão da sociedade sobre os políticos. A eles cabe a responsabilidade de votar, mas a nós compete o direito de manifestação. Afinal, todos foram eleitos por nossa vontade.

No Brasil nada é impossível de se alterar, mas é fundamental que exista determinação e persistência. Caberá a cada um de nós exercer o seu papel, entretanto, por intermédio de estruturas bem elaboradas, com equipes competentes e por intermédio de organizações sérias. O apoio da imprensa é fundamental, pois nos diversos veículos de comunicação, encontram-se os formadores de opinião. As comunicações eletrônicas, notadamente pelas redes sociais, terão que exercer o trabalho de difusão de idéias, geradas em encontros presenciais ou virtuais em todo o país.

O Brasil conta com uma extraordinária rede de estabelecimentos de ensino, com cerca de 220.000 escolas de educação básica e superior, públicas e privadas. Temos mais de 2.500.000 profissionais que atuam no setor e 60.000.000 de estudantes. Todos são responsáveis por esse importante momento do Brasil.

Não podemos mais nos contentar com iniciativas isoladas, exitosas ou fracassadas. Somente com educação de qualidade conseguiremos resgatar a enorme dívida social acumulada ao longo dos séculos.

(*) Presidente do Instituto de Pesq
Fonte: Instituto de Pesquisas e Administração da Educação - IPAE 25/12/10

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Uma cartinha ao Papai Noel - Luiz David

Uma cartinha ao Papai Noel do Luiz David


Querido Papai Noel,

Neste ano eu me comportei direitinho. Obedeci à mamãe e ao papai, não briguei com a minha irmã e usei o dinheiro da minha mesada com muita responsabilidade. O papai me dá 700 reais todos os meses para eu gastar com o que eu quiser, mas eu economizo 200 reais por mês. É que eu quero juntar 3.000 reais para eu levar para a Disney ano que vem e comprar um monte de coisas legais para mim.

Na escola eu também fiz tudo direitinho. Meus colegas fizeram muitas coisas erradas, mas eu não: todos os dias eles insultavam um outro menino, que veio estudar na nossa sala com uma bolsa de estudos, porque ele é pobre e negro, coitado... Eles batiam nele e o chamavam de um monte de coisas feias, como urubu, filhote de cruz credo e favelado; e ainda chamavam a mãe dele de prostituta e o pai de drogado e traficante. Só que eu não. Eu ficava caladinho. Eu não conversava com o menino porque ninguém nem chegava perto dele, só a professora, então eu não podia conversar também. Mas eu nunca bati nele nem o chamei de nomes feios.

De vez em quando umas pessoas muito pobres tocam o interfone daqui de casa pedindo um prato de comida ou um pedaço de pão. Quando sobram restos de comida nos pratos, eu junto tudo, embrulho num jornal e levo para eles. Quando não sobra comida, eu pego uns dois ou três pães, que ficam guardados no armário a semana inteira para endurecer e a empregada poder ralar para fazer farinha de pão, e jogo para eles por cima da grade. Um dia um menino que estava com eles me pediu água. Mesmo correndo o risco de sujar o piso de granito da mamãe, eu abri o portão e deixei o coitado usar a torneira do jardim. O meu pai até chegou na hora e empurrou o menino para fora, chamando-o de pivete imundo. Eu fiquei muito triste com o papai.

Ontem esteve aqui em casa a minha tia Jaciara. Ela me contou que só existe um Papai Noel de verdade: o senhor. Ela disse que aquele Papai Noel que fica na casinha da ASCIPAM é de mentira; que o Papai Noel de verdade é um espírito superior, que só visita as residências de pessoas superiores, como nós, que merecem ser presenteadas. Foi aí que eu entendi por que os alunos bolsistas lá da escola, que são inferiores, só ganham de Natal brinquedos ruins, enquanto nós, superiores, ganhamos brinquedos bons e caros. É que quem dá os presentes para as crianças pobres são os próprios pais delas (ou alguma instituição de caridade ou empresa), que não têm muito dinheiro, enquanto, no nosso caso, é o senhor mesmo, que vem com as suas renas mágicas visitar as nossas casas.

Aproveito esta carta também para agradecer ao senhor o helicóptero de controle remoto, o computador, o tênis Puma e o celular que o senhor me deu no ano passado. Muito obrigado, Papai Noel. Gostei demais! O helicóptero ainda está funcionando, mas eu não brinco mais com ele porque fiquei enjoado, então eu o empresto ao filho da empregada todo sábado de manhã. O senhor precisa ver a alegria do menino! (Mas acho que o senhor vê, não é?). O computador já não me serve mais, porque de uma hora para outra ele ficou muito devagar e o papai teve que comprar outro. O tênis eu tive que parar de usar porque o Eloi, meu colega, chegou com um muito mais caro do que o meu; então eu tive que pedir ao papai para comprar um de uma marca ainda mais cara, para eu não ficar para trás. E o celular, o senhor sabe... Não dá para ficar com o mesmo por muito tempo, no máximo dois ou três meses, porque sempre aparece um mais avançado, com design mais moderno e mais caro lá na escola, e a gente tem que trocar o nosso, para ninguém ficar zoando a gente.

Neste Natal, eu peço ao senhor um laptop (o melhor que tiver no mundo), porque oito colegas meus já têm os seus e eu preciso ter o meu também; uma viagem ao Japão, porque até hoje ninguém na minha sala foi ao Japão; e um celular novo (também o melhor do mundo), porque eu não posso ficar para trás.

Ah! Já ia me esquecendo! Se for possível, eu gostaria de confirmar uma coisa com o senhor. É que ontem, junto com a tia Jaciara, veio nos visitar o tio Tomás, que é deputado lá no Congresso. Ele ficou o tempo todo rindo (com a mão naquela pança enorme que ele tem), bebendo um vinho importado da mamãe (reservado para ocasiões especiais), e disse que este ano o Papai Noel DELE vai chegar bem mais gordo (e de jatinho), por causa de um aumento de mais de 60% no salário que eles mesmos se deram lá no Congresso. A tia Jaciara tinha acabado de me contar a verdadeira história do Papai Noel (ou seja, do senhor), e na hora só pude crer que o tio Tomás tinha se equivocado. Como é possível que ele possa ter um Papai Noel só dele (mais gordo do que o dos outros e que chega de jatinho e não de renas mágicas) se só existe um Papai Noel: o senhor?

Um forte abraço, blá blá blá...
Flávio Marcus da Silva – HP: www.nwm.com.br/fms
P. S.: Esta carta foi inspirada na divertida crônica Abaixo Papai Noel. Viva o Rei Momo!, de Luiz David, publicada em seu blog paraensedeminas

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

FELIZ NATAL

A educação não pode esperar

A educação não pode esperar


Autor: Campanha Nacional pelo Direito à Educação
Data: 8/12/2010

O Comitê Diretivo da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, correspondendo à deliberação expressa em 29 de novembro de 2010 pelos comitês nordestinos da rede, em encontro regional ocorrido em Fortaleza/CE, solicita que o Ministério da Educação e a Presidência da República tornem público e enviem ao Congresso Nacional o texto do Plano Nacional de Educação 2011-2020 antes que seja iniciado o recesso parlamentar.

Como outros movimentos educacionais, a Campanha Nacional pelo Direito à Educação foi surpreendida com o adiamento da solenidade de lançamento do PNE 2011-2020, que estava marcada para o dia 29 de novembro de 2010. Adiamentos anteriores, decorrentes do calendário eleitoral, foram devidamente justificados e compreendidos. No entanto, dessa última vez, sequer houve justificativa formal que explicasse a prorrogação da atividade.

O Plano Nacional de Educação, segundo o Art. 214. da Constituição Federal de 1988, conforme as alterações promovidas pela Emenda à Constituição 59/2009, deve ser um instrumento capaz de articular o Sistema Nacional de Educação – por meio do regime de colaboração e ações integradas entre os poderes públicos das diferentes esferas federativas –, definindo diretrizes, objetivos, metas e estratégias capazes de assegurar a manutenção e o desenvolvimento do ensino em seus diversos níveis, etapas e modalidades. Primordialmente, seu intuito deve ser a superação do analfabetismo, a universalização do atendimento escolar, a melhoria da qualidade do ensino, a formação dos cidadãos para o mundo do trabalho e a promoção humanística, científica e tecnológica do Brasil. Para tanto, a Constituição Federal determina que o PNE estabeleça uma meta de aplicação de recursos públicos em educação como proporção do produto interno bruto (PIB).

Portanto, sendo o fio condutor da política de Estado na área da educação, graças às suas próprias atribuições constitucionais, o PNE deve ser superior às vontades governamentais, partidárias e de grupos de interesse. No entanto, o atual PNE, em vigência até dezembro de 2010, careceu – fundamentalmente – de respeito e atenção por parte dos governantes. Estima-se que apenas um terço de suas metas foram cumpridas e poucas versões de planos estaduais e municipais foram criadas. Além disso, infelizmente, muitos educadores desconhecessem por completo o texto do PNE atual.

Devido ao baixo grau de pertencimento público do plano atualmente em vigor, tanto por parte dos governos que o desconsideraram, como por parte de alguns setores da sociedade civil, que o ignoraram, a Comissão Organizadora da Conferência Nacional de Educação colocou o PNE no centro da roda dos debates da Conae. Contando com a participação de mais de 3 milhões de cidadãos, a Conferência produziu e depurou diretrizes que oferecem bons subsídios para a elaboração do texto do novo Plano. Ressalta-se que uma versão preliminar foi debatida entre o Ministro da Educação, Fernando Haddad, e o colegiado da Comissão Organizadora Nacional da Conae, da qual a Campanha Nacional pelo Direito à Educação é membro titular. Ou seja, em termos de interlocução política entre a sociedade civil e o Estado, há força suficiente para lançá-lo.

Obviamente, o texto apresentado pelo MEC não reflete por completo as opiniões da Campanha Nacional pelo Direito à Educação e nem corresponde a todas as deliberações da Conae. É fruto de uma negociação, sendo, inclusive, objeto de análise no interior do próprio Governo Federal. Contudo, é fundamental que a proposta do Executivo seja logo tornada pública. O atraso cada vez maior na tramitação do novo PNE no Congresso Nacional aumenta gravemente o hiato legal que já existirá entre o PNE atual, cuja vigência expira em dezembro de 2010, e o próximo. A educação brasileira, que enfrenta tantos desafios, não pode prescindir de um fio condutor nacional. E a sociedade civil não pode mais esperar para iniciar sua incidência sobre o novo PNE.

Estamos certos de que estamos preparados para incidir sobre o texto do novo PNE no Congresso Nacional, tal como fizemos com o Fundeb – quando fomos bem-sucedidos, entre tantas outras, nas lutas pela inclusão das creches e na obrigação da participação financeira da União no novo fundo. No entanto, para agirmos, é necessário que o texto seja oficialmente lançado e enviado ao Congresso Nacional. E a educação brasileira não pode esperar mais.

Comitê Diretivo da Campanha Nacional pelo Direito à Educação:
Ação Educativa
ActionAid Brasil
Cedeca CE (Centro de Defesa da Criança e do Adolescente do Ceará)
Centro de Cultura Luiz Freire
CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação)
Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança e do Adolescente
Mieib (Movimento Interfóruns de Educação Infantil do Brasil)
MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra)
Uncme (União Nacional dos Conselhos Municipais de Educação)
Undime (União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação)
Comitês Nordestinos da Campanha Nacional pelo Direito à Educação:
Comitê Alagoano
Comitê Baiano
Comitê Cearense
Comitê São Luís - Maranhão
Comitê Regional dos Cocais (Maranhão)
Comitê Paraibano
Comitê Pernambucano
Comitê Piauiense
Comitê Potiguar
Comitê Sergipano

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

A DIFERENÇA ENTRE AMOR, GOSTAR E PAIXÃO

A DIFERENÇA ENTRE AMOR, GOSTAR E PAIXÃO

Gostaria de iniciar este texto com o poema de Camões, muito difundido e por quase todos conhecidos: Amor é um fogo que arde sem se ver; /É ferida que dói e não se sente; /É um contentamento descontente; /É dor que desatina sem doer. / É um não querer mais que bem-querer; /É um andar solitário entre a gente; / É nunca contentar-se de contente; /É um cuidar que ganha em se perder. /É querer estar preso por vontade; /É servir a quem vence, o vencedor; /É ter com quem nos mata, lealdade. /Mas como causar pode seu favor/ Nos corações humanos amizade, /Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Prontos! Ai está! Mas, o que Camões poetiza, é amar, gostar ou paixão? Bem, esta tarefa deixarei para o caro leitor decidir depois de ter consumido o texto que lhes preparei.

O nosso estado de evolução inviabiliza gozar do amor sublime e pleno. Consequentemente está claro que também as palavras serão mal conduzidas devido a essa mesma falta de discernimento espiritual. Faz-se necessário usar adequadamente certas palavras que são mal utilizadas em um relacionamento. São elas: gostar, amar e paixão.

Amor


Sentimento que nos impele para o objecto dos nossos desejos. Quer dizer, o “amor é um conflito entre os nossos reflexos e as nossas reflexões”. Para além de se multiplicar quando se divide, o amor é despertar aquele a quem amamos para toda a grandeza de que são capazes. Filosoficamente falando, seria a promoção do outro em toda a sua plenitude de modo incondicional. “O amor é aquilo que os anjos chamam de alegria celeste, os demónios o chamam de sofrimento infernal e os homens o chamam de amor”. Só existe amor quando não existe autoridade.

Algumas características de quem ama

i. Sabe que o amor não se encontra no primeiro olhar: o amor à primeira vista é uma oportunidade rara entre duas pessoas, que se encontram em mesma sintonia espiritual, chamados de espíritos afins. O amor verdadeiro só entra em campo a cada dia de alquimia produzida a partir desse encontro.

ii. Dá amor sem sentir a perda deste sentimento: para amar, é preciso “ser amor”, assim, nunca sentiremos falta do que se dá. O que se “é” não se perde, se transmite, causando alívio e alegria para quem dá e preenchimento para quem recebe.

iii. No silêncio sabe doar e nas tribulações jamais pensa em receber: o amor não quer honras nem medalhas por seus feitos, antes a recusa, pois não teria onde guardar. Amor não é investimento que se possa fazer em uma pessoa.

iv. Vê o sexo como complemento do amor.

v. Amou primeiro a si mesmo: pois só ama quem é amor. Como se poderá amar alguém, se não somos primeiro portadores e transmissores desse sentimento?

vi. Ama o ser como um todo e não parte dele.vii. Ama acima de tudo a felicidade do parceiro, mesmo que esta felicidade seja ao lado de outro(a).

viii. Ama sem ser amado. Ama sem pedir amor: o amor genuíno não se importa em ter respostas, devolução ou retenção de um sentimento que dele aflora naturalmente.

ix. Despreza seu medo de dizer “eu te amo”: na verdade, sentimento não deveria ser falado, seria melhor senti-lo. Infelizmente se faz necessário reproduzi-lo falta de sensibilidade espiritual.

x. Ama em liberdade e não o aprisiona.

como podemos ver, amar é admirar com o coração. Admirar é amar com o cérebro. O amor é um não-sei-quê, que surge não sei onde e acaba não sei como!


Gostar

Gostar é achar uma coisa agradável, aprazível. É sentir prazer e dar-se bem com outro.

“Se você gosta de morango, só pensa em comê-lo. Porém, se amas morango, deseja apenas guardá-lo no lado esquerdo do peito”. Gostar é um quase amor. É um amor doentio e imperfeito.

Algumas características de quem gosta

i. Possui ciúme exagerado para com seu parceiro e até por seus objectos preferidos: ciúme é sinónimo de desconfiança e propriedade privada, um sentimento de baixo escalão espiritual.

ii. Controla as acções do parceiro e se puder até os pensamentos: controla porque desconfia. O amor é confiança e é um sentimento que sabe esperar pacientemente a sua hora.

iii. Exige amor, porém não tem para transmitir: o amor não se exige, se aguarda. Temos aí o "pedinte"sentimental, que está vazio de bons sentimentos e deseja encher-se com o amor dos outros.


Quem gosta, um dia pode vir a querer o mal do parceiro: um dos piores predicados escondidos no fundo do gostar é a vingança, que é comandada pelo grande chefe do mal: o ódio, sentimento inverso do amor. O amor não maltrata porque não há tempo nem espaço para o ódio.

Então caro leitor (a), como pode ver, gostar é sinónimo de insegurança, imaturidade, ciúme, desejo de propriedade, vibração negativa.


Paixão

Paixão é um sentimento profundo, afectivo e violento. É quase um amor ardente. Este sentimento é a admiração instantânea firmada em bases falsas, ora corporal, ora pelo “status” socio-económico que pessoa avistada possui. Este sentimento é muito confundido com o falado “amor à primeira vista”.

A paixão nos invade como uma irresistível e intensa atracção, muitas vezes pela sensualidade. Como este sentimento não tem consórcio com a verdade, cai e míngua com a mesma velocidade e intensidade com que apareceu. A paixão não resiste ao tempo, pois esse sentimento tem um alicerce frágil: corpos, títulos e riquezas.

Algumas características de quem sente paixão

i. Não sente amor, pois paixão não se sente, vive-se.

ii. Cegueira: a paixão cega, o amor torna lúcido.

iii. Sentimento de propriedade.

Em jeito de conclusão, a paixão traduz-se num desejo, no fogo, em algo poderoso e grandioso. Pode-se confundir com o amor, ou até mesmo gostar, mas a paixão é efémera e nunca vira ódio, a paixão pode renascer sempre que encontra o apaixonado, mas nem sempre. As paixões que ficam frias, nunca voltam a esquentar, as que são interrompidas por algo (espaço ou distância), essas sim, talvez possam a vir ter uma chance.


Então, de que falava Camões, Amor, Gostar ou Paixão? E você, gosta, ama ou sente paixão?
Por Lopes Rita

Fonte:http://kumbukilah.blogspot.com/2010/02/diferenca-entre-amor-gostar-e-paixao.html

O PARADOXO DE NOSSO TEMPO

O PARADOXO DE NOSSO TEMPO

O paradoxo de nosso tempo na história é que temos edifícios mais altos, mas pavios mais curtos; auto-estradas mais largas, mas pontos de vista mais estreitos; gastamos mais, mas temos menos; nós compramos mais, mas desfrutamos menos.
Temos casas maiores e famílias menores;mais medicina, mas menos saúde. Temos
maiores rendimentos, mas menor padrão moral.
Bebemos demais, fumamos demais, gastamos de forma irresponsável, rimos de
menos, dirigimos rápido demais, nos irritamos muito facilmente, ficamos
acordados até tarde, acordamos cansados demais, raramente paramos para ler
um livro, ficamos tempo demais diante da TV e raramente pensamos...

Multiplicamos nossas posses, mas reduzimos nossos valores. Falamos demais,
amamos raramente e odiamos com muita frequência. Aprendemos como ganhar a vida, mas não vivemos essa vida.
Adicionamos anos à extensão de nossas vidas, mas não vida á extensão de nossos anos. Já fomos à Lua e dela voltamos, mas temos dificuldade em atravessar a rua e nos encontrarmos com nosso novo vizinho.
Conquistamos o espaço exterior, mas não nosso espaço interior. Fizemos
coisas maiores, mas não coisas melhores. Limpamos o ar, mas poluímos a alma.
Estes são tempos de refeições rápidas e digestão lenta; de homens altos e
Caráter baixo; lucros expressivos, mas relacionamentos rasos. Estes são
tempos em que se almeja paz mundial, mas perdura a guerra no lares; temos
mais lazer, mas menos diversão; maior variedade de tipos de comida, mas
menos nutrição.
São dias de duas fontes de renda, mas de mais divórcios; de residências mais
belas, mas lares quebrados.
São dias de viagens rápidas, fraldas descartáveis, moralidade também
descartável, ficadas de uma só noite, corpos acima do peso, e pílulas que
fazem de tudo: alegrar, aquietar, matar.

É um tempo em que há muito na vitrine e nada no estoque; um tempo em que a
tecnologia pode levar-lhe estas palavras e você pode escolher entre fazer
alguma diferença, ou simplesmente apertar a tecla Del.
(Anônimo)

Willian Shakespeare VOCE APRENDE ....

VOCÊ APRENDE.....


Depois de algum tempo você aprende a diferença, a
sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma.

E você aprende que amar não significa apoiar-se
e quecompanhia nem sempre significa segurança.
E começa a aprender que beijos não são
contratos e presentes não são promessas.
E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça
erguidae olhos adiante, com a graça de um adulto
e não com a tristeza de uma criança.
E aprende a construir todas as suas estradas no
hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais
para os planos, e o futuro tem o costume de cair
em meio ao vão.
Depois de um tempo você aprende que o Sol
queima se ficar exposto por muito tempo.
E aprende que não importa o quanto você se
importe, algumas pessoas simplesmente não se
importam...
E aceita que não importa quão boa seja uma
pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você
precisa perdoá-la por isso.
Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.
Descobre que se levam anos para se construir
confiança e apenas segundos para destruí-las,
e que você pode fazer coisas em um instante,
das quais se arrependerá pelo resto da vida.
Aprende que verdadeiras amizades continuam a
crescer mesmo a longas distâncias.
E o que importa não é o que você tem na vida,
mas quem você tem na vida.
E que bons amigos são a família que nos
permitiram escolher.
Aprende que não temos que mudar de amigos se
compreendemos que os amigos mudam, percebe
que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer
coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos.
Descobre que as pessoas com quem você mais se
importa na vida são tomadas de você muito
depressa, por isso sempre devemos deixar as
pessoas que amamos com palavras amorosas, pode
ser a última vez que as vejamos.
Aprende que as circunstâncias e os ambientes
têm influência sobre nós, mas nós somos
responsáveis por nós mesmos.
Começa a aprender que não se deve comparar com
os outros, mas com o melhor que pode ser.
Descobre que se leva muito tempo para se
tornar a pessoa que se quer ser, e que o
tempo é curto.
Aprende que não importa aonde já chegou, mas
Onde está indo, e se você não sabe para onde
está indo, qualquer lugar serve.
Aprende que, ou você controla seus atos ou
eles o controlarão, e que ser flexível não
significa ser fraco ou não ter personalidade,
pois não importa quão delicada e frágil seja
uma situação, sempre existem dois lados.
Aprende que heróis são pessoas que fizeram o
que era necessário fazer, enfrentando as
conseqüências.
Aprende que paciência requer muita prática.
Descobre que algumas vezes a pessoa que você
espera que o chute quando você cai é uma das
poucas que o ajudam a levantar-se.
Aprende que maturidade tem mais a ver com os
tipos de experiência que se teve e o que você
aprendeu com elas do que com quantos aniversários
você celebrou.
Aprende que há mais dos seus pais em você do que
você supunha.
Aprende que nunca se deve dizer a uma criança
que sonhos são bobagens, poucas coisas são tão
humilhantes e seria uma tragédia se ela
acreditasse nisso.
Aprende que quando está com raiva tem o direito
de estar com raiva, mas isso não te dá o
direito de ser cruel.
Descobre que só porque alguém não o ama do
jeito que você quer que ame, não significa que
esse alguém não o ama com tudo o que pode,
pois existem pessoas que nos amam, mas
simplesmente não sabem como demonstrar
ou viver isso.
Aprende que nem sempre é suficiente ser
perdoado por alguém, algumas vezes você tem
que aprender a perdoar-se a si mesmo.
Aprende que com a mesma severidade com que
julga, você será em algum momento condenado.
Aprende que não importa em quantos pedaços seu
Coração foi partido, o mundo não pára para que
você o conserte.
Aprende que o tempo não é algo que possa voltar
para trás. Portanto, plante seu jardim e
decore sua alma, ao invés de esperar que
alguém lhe traga flores. E você aprende que
realmente pode suportar...
que realmente é forte, e que pode ir muito
mais longe depois de pensar que não se pode
mais. Que realmente a vida tem valor e que
você tem valor diante da vida!
"Nossas dádivas são traidoras e nos
Fazem perder o bem que poderíamos conquistar,
se não fosse o medo de tentar."
Willian Shakespeare

Vitor Hugo DESEJO...

Desejo


Desejo primeiro, que você ame, e que amando, também seja amado. E que se não for, seja breve em esquecer e esquecendo não guarde magoa. Desejo pois, que não seja assim, mas se for, saiba ser sem desesperar.

Desejo também que tenha amigos, que mesmo maus e inconseqüentes, sejam corajosos e fiéis, e que em pelo menos num deles você possa confiar sem duvidar, E porque a vida é assim, desejo ainda que você tenha inimigos; Nem muitos, nem poucos, mas na medida exata para que, algumas vezes, você se interpele a respeito de suas próprias certezas. E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo, para que você não se sinta demasiado seguro.

Desejo depois que você seja útil, mas não insubstituível. E que nos maus momentos, quando não restar mais nada, essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.

Desejo ainda que você seja tolerante; não com os que erram pouco, porque isso é fácil, mas com os que erram muito e irremediavelmente, e que fazendo bom uso dessa tolerância, você sirva de exemplo aos outros.

Desejo que você sendo jovem não amadureça depressa demais, e que sendo maduro, não insista em rejuvenescer e que sendo velho não se dedique ao desespero. Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e é preciso deixar que eles escorram por entre nós.

Desejo por sinal que você seja triste; não o ano todo, mas apenas um dia. Mas que nesse dia descubra que o riso diário é bom; o riso habitual é insosso e o riso constante é insano.

Desejo que você descubra, com o máximo de urgência, acima e a despeito de tudo, que existem oprimidos, injustificados e infelizes, e que estão à sua volta.

Desejo ainda que você afague um gato, alimente um cuco e ouça o João-de-barro erguer triunfante o seu canto matinal; porque assim, você se sentirá bem por nada.

Desejo também que você plante uma semente, por mais minúscula que seja, e acompanhe o seu crescimento, para que você saiba de quantas muitas vidas é feita uma árvore.

Desejo outrossim, que você tenha dinheiro, porque é preciso ser prático. E que pelo menos uma vez por ano coloque um pouco dele na sua frente e diga "Isso é meu", só para que fique bem claro quem é o dono de quem.

Desejo também que nenhum dos seus afetos morra, por ele e por você, mas que se morrer, você possa chorar sem se lamentar e sofrer sem se culpar.

Desejo por fim que você sendo um homem, tenha uma boa mulher, e que sendo uma mulher, tenha um bom homem e que se amem hoje, amanhã e no dia seguinte, e quando estiverem exaustos e sorridentes, ainda haja amor para recomeçar.

E se tudo isso acontecer, não tenho nada mais a te desejar.

Victor Hugo

Charles Chaplin - DESEJO...

Desejo ajudar...


"Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício.
Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja.
Gostaria de ajudar, se possível, judeus, gentios, negros, brancos...
Todos nós desejamos ajudar uns aos outros.
Os seres humanos são assim.
Desejamos viver para a felicidade do próximo, não para seu infortúnio.

Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros?
Neste mundo há espaço para todos.
A terra que é boa e rica, pode prover a todas as necessidades.
Caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém, nos extraviamos.
A cobiça envenenou a alma das pessoas...
levantou no mundo as muralhas do ódio e tem-nos feito
marchar a passo de ganso para a miséria e a morte.
Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela.
A máquina que produz abundância, tem-nos deixado em penúrias.
Nossos conhecimentos fazem-nos céticos; nossa inteligência em pessoas duras e cruéis.

Pensamos em demasia e sentimos bem pouco.
Mais do que máquinas, precisamos de humanidade.
Mais do que inteligência, precisamos de afeição e doçura.
sem essas feições a vida será de violência e tudo será perdido.

A aviação e o rádio aproximam-nos muito mais.
A própria natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à bondade da pessoa humana, um apelo à fraternidade universal, à união de todos nós.
Neste mesmo instante minha voz chega a milhões de pessoas por este mundo afora.
MIlhões de desesperados, homens e mulheres, criancinhas, vítimas de um sistemas que tortura seres humanos e encarcera inocentes.
Aos que me podem ouvir, eu digo: "Não se desesperem!"
A desgraça que tem caído sobre nós não é mais produto da cobiça em agonia, da amargura de pessoas que temem o avanço do processo humano.
As pessoas que odeiam desaparecerão.

Os ditadores sucumbirão e o poder que do povo foi roubado há de retornar ao povo.
E assim, enquanto morrem pessoas, a liberdade nunca perecerá.
Companheiros, não vos entregueis a seres humanos brutais que vos desprezam, que vos escravizam, que arregimentam as vossas vidas, que ditam os vossos atos, as vossas idéias, os vossos sentimentos!
Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como um gado humano, que vos utilizam como carne para canhão!
Não sois máquinas! Pessoas é que sois!
E, com amor da humanidade em vossas almas!
Não odieis!
Só odeiam os que não se fazem amar, os inumanos.
Companheiros, não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade!
No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito que o Reino de Deus está dentro de vós todos! Vós, o povo, tendes o poder - o poder de criar máquinas.
O poder de criar felicidade!
Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela... e fazê-la uma aventura maravilhosa.
Portanto, em nome da democracia, usemos deste poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo... um mundo bom, que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê fruto à mocidade e segurança à velhice.
É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder.
Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem.
Jamais o cumprirão!
Os ditadores liberam-se, porém, escravizam o povo.
Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência.
Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à aventura de todos nós.
Em nome da democracia, unamo-nos.
Hannah, estás me ouvindo?
Onde te encontres, levanta os olhos!
Vês, Hannah?
O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam!
Estamos saindo das trevas para a luz!
Vamos entrando num mundo novo.
Um mundo melhor, em que as pessoas estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade.
Ergue os olhos, Hannah!
A alma das pessoas ganhou asas e afinal começa a voar.
Voar para o arco-íris, para a luz da esperança.
Ergue os olhos Hannah!
Ergue os olhos!"
Charles Chaplin
Extraído do filme O Grande Ditador

Carl Rogers : conclusão sobre as pessoas

Respeito as diferenças

Recebi o texto abaixo há muito tempo. O autor não conheço. Se é verdadeiro... também não. Porém, a mensagem é fantástica.


Veja abaixo a conclusão de Carl Rogers sobre as pessoas:

Cheguei a conclusão de que uma das experiências mais gratificantes que conheço, e também uma das experiências que mais promovem o crescimento da outra pessoa, consiste simplesmente em apreciar um indivíduo do mesmo modo que se aprecia o pôr do sol.

As pessoas são tão maravilhosas quanto um pôr de sol, bastando para isso que as deixemos ser.

Realmente, talvez a razão pela qual podemos verdadeiramente apreciar um pôr do sol esteja no fato de não podermos controlá-lo.

Quando olho um pôr-do-sol, como fiz outro dia à noitinha, eu não digo: "Diminua um pouco o tom alaranjado do canto da direita, coloque um pouco mais de púrpura ao longo da base, use um pouco mais de rosa na cor da nuvem."

Eu não faço isso!!! Não tento controlar o pôr-do-sol. Eu o assisto com respeito e reverência, à medida que ele vai acontecendo.

Eu gosto mais de mim mesmo quando posso experimentar os elementos da minha equipe, o meu filho, a minha filha, dessa forma que apreciamos o desenrolar de uma vida...

Uma pessoa que é amada de uma maneira apreciativa e não possessiva, desabrocha e desenvolve o seu próprio eu único.

A pessoa que ama de um modo não possessivo, também se enriquece.

Quantas vezes temos atitudes como estas? Como o ciúmes é aceito em nome do "amor"? Para se construir um relacionamento verdadeiro é preciso respeitar a si mesmo em primeiro lugar.

Fonte:http://saladeterapia.blogspot.com/2009/01/respeito-as-diferenas.html

domingo, 12 de dezembro de 2010

Pará de Minas homenageia a CTBC

Em solenidade especial, realizada na noite de 10 de novembro, a Câmara Municipal de Pará de Minas prestou uma homenagem ao cinqüentenário da CTBC. A cerimônia reuniu políticos, empresários e representantes de vários segmentos da sociedade que aplaudiram não só o avanço tecnológico da empresa que pertence ao grupo Algar como, principalmente, o seu desempenho frente a importantes projetos sociais. Ao propor a distinção o vereador Délio Alves Ferreira ressaltou em seu projeto-resolução a expressiva contribuição da CTBC no contexto do desenvolvimento do município e no cenário nacional, através de fatores como responsabilidade social e multiplicação das oportunidades de trabalho, além da excelência na prestação de serviços em telecomunicações. Quatro diretores da CTBC de Uberlândia, onde fica a sede da empresa, participaram da solenidade: Waldir Melgaço Barbosa que, inclusive representou o presidente Luiz Garcia que está na Europa; José Antônio Fechio, diretor de tecnologia da informação; Gean Carlos Borges, diretor administrativo-financeiro e a coordenadora da CTBC na região de Pará de Minas, Iranez Gonçalves Ferreira. Além de receber uma placa comemorativa os convidados ouviram discursos eloqüentes que não deixaram dúvida acerca da importância da empresa para o Brasil. Outro fato muito ressaltado também foi a importância de Pará de Minas no processo de implantação da empresa. Através dos irmãos Melgaço, proprietários da Indústria de Borracha Reivax, e de uma ação muito positiva do então prefeito Walter Martins Ferreira, a antiga Companhia Telefônica se instalou na região e nunca mais parou de crescer. O presidente da Ascipam, Amarildo Oliveira, juntamente com a sua diretora de comunicação, Sandra Araújo, assistiram à cerimônia cumprimentando os diretores da CTBC pela magnitude do grupo que emprega 9.500 pessoas em seus vários segmentos de atuação.

Prefeitura inaugura Galeria de Prefeitos

Prefeitura inaugura Galeria de Prefeitos


Dentro das comemorações dos 150 anos de nossa cidade, a Prefeitura de Pará de Minas, por meio da Secretaria Municipal de Gestão Pública, inaugurou no segundo andar do prédio da municipalidade a Galeria de Prefeitos. Esta iniciativa visa manter viva na memória de nosso povo as lembranças dos ilustres homens que tanto fizeram e ainda fazem por esta terra querida. A cerimônia contou com a presença dos prefeitos Paulo Antônio da Fonseca, Adair da Silva Almeida, Antônio Júlio de Faria, Célio de Oliveira Duarte, Eli Pinto de Faria, Inácio Franco e Zezé Porfírio. A galeria é composta pelos prefeitos Benedicto Valladares Ribeiro, José Pereira da Costa, Francisco Mendonça, Francisco Valladares Ribeiro, Geraldo Ferreira de Oliveira, José Xavier de Melo, José Vicente Marinho, Carmério Moreira dos Santos, Padre José Viegas da Fonseca, Osvaldo Ribeiro Lage, Geraldo Alves de Souza, Edward Moreira Xavier, Walter Martins Ferreira, Raymundo Mendonça, José Porfírio de Oliveira, Silvio Francelino Gonçalves, Célio de Oliveira Duarte, José Gentil de Almeida, Antônio Júlio de Faria, Paulo Antônio da Fonseca, Silésio Mendonça, Adair da Silva Almeida, Eli Pinto de Faria, Inácio Franco, José Porfírio de Oliveira Filho. A cerimônia contou com a presença de diversas autoridades, dentre elas, o Prefeito Zezé Porfírio, o vice Eugênio Mansur, o presidente da Câmara Municipal Geraldo Sabino, secretários municipais, vereadores, os deputados estaduais e ex-prefeitos Inácio Franco e Antônio Júlio e o desembargador Almeida Melo cujo pai, José Xavier de Melo, integra o hall de prefeitos de nossa cidade.

Fonte:http://www.parademinas.mg.gov.br/iframe_chamada13.html

Desabafo de um paraminense

Quando escrevi este artigo, eu não imaginava a polêmica que iria causar.

Uma pessoa chegou a ser presa por debater um dos 20 tópicos que coloquei no artigo.

Ao menos levantei a poeira de certos tabus e o debate iniciou e tomou rumos interessantes para a sociedade de Pará de Minas.

Ei-lo na íntegra:

Sinto vergonha... mas qual a resposta!


Há dias em que acordamos com vontade de desafiar o mundo com apenas um porrete na mão. De tanto ver triunfar certas injustiças o sangue “talha”! Sirvo-me neste momento das palavras de desabafo de Rui Barbosa:

Sinto vergonha de mim por ter sido educador de parte desse povo, por ter batalhado sempre pela justiça, por compactuar com a honestidade, por primar pela verdade e por ver este povo já chamado varonil enveredar pelo caminho da desonra.

Sinto vergonha de mim por ter feito parte de uma era que lutou pela democracia, pela liberdade de si e ter que entregar aos meus filhos, simples e abominavelmente , a derrota das virtudes pelos vícios, a ausência da sensatez no julgamento da verdade, a negligencia com a família, célula-mater da sociedade, a demasiada preocupação com o "eu" feliz a qualquer custo, buscando a tal "felicidade" em caminhos eivados de desrespeito para com o seu próximo.

Tenho vergonha de mim pela passividade em ouvir, sem despejar meu verbo, a tantas desculpas ditadas pelo orgulho e vaidade, a tanta falta de humildade para reconhecer um erro cometido, a tantos "floreios" para justificar atos criminosos, a tanta relutância em esquecer a antiga posição de sempre "contestar", voltar atrás e mudar o futuro.

Tenho vergonha de mim, pois faço parte de um povo que não reconheço, enveredando por caminhos que não quero percorrer...

Tenho vergonha da minha impotência, da minha falta de garra, das minhas desilusões e do meu cansaço.

Não tenho para onde ir, pois amo este meu chão, vibro ao ouvir meu Hino e jamais usei a minha Bandeira para enxugar o meu suor ou enrolar meu corpo na pecaminosa manifestação de nacionalidade.

Ao lado da vergonha de mim, tenho tanta pena de ti, povo brasileiro!

De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.

Então tomemos algumas questões feitas pelos meus leitores para refletirmos:

1. Qual dia será o encontro de Antônio Júlio, Inácio Franco e Eduardo Barbosa numa reunião plenária para ouvir os seus eleitores e decidirem as prioridades para nossa cidade?

2. A questão da saúde em Pará de Minas está bem resolvida? Será nossa cidade reduzida ao Pronto Atendimento e ao Hospital Nossa Senhora da Conceição num jogo de “passa a batata-quente para o outro”? Quem os administra?

3. Quem é dono da FAPAM?

4. Se a Rádio Espacial é do Antônio Júlio, a TVI é do Inácio Franco?

5. O Parque de Exposições é de quem? Para onde vai o lucro da arrecadação? Os agricultores são realmente beneficiados? Quantas reses foram expostas no último evento? O que foi feito para o pequeno agricultor?

6. Um religioso diz que seu lhe der meu carro para a sua entidade, ele me cura de qualquer doença. Posso dar carro com financiamento atrasado? A final todos dizem: “Deus lhe pague!”

7. A quantas anda o debate da verba indenizatória dos vereadores de Pará de Minas?

8. A lei dos 15 minutos em fila bancária vale para nossa cidade? Existe esta lei?

9. Os deficientes físicos têm acesso facilitado no comércio local?

10. Em 1965 o Sr. Walter Martins Ferreira fez a captação de água da COPASA. Quantos pontos de captação de água Pará de Minas têm atualmente?

11. A cidade Ozanan, crescendo como está, terá renda futura para suportar a estrutura atualmente construída?

12. É feita prestação de contas aos cidadãos dos valores pagos no juizado especial?

13. Qual a base utilizada por um advogado cobrar R$ 50,00 para tirar uma pessoa da cadeia?

14. O que é o CONSEP? O que ele faz? Para que serve? Onde é sua sede?

15. Veremos esta manchete de jornal em vésperas das eleições de 2010? “Pará de Minas: a cidade mais desenvolvida do estado!”.

16. O que aconteceu com a “Escolinha do Legislativo”? Não recebeu mais interesses dos políticos?

17. Soldados, Cabos e Sargentos correm atrás dos bandidos. E o Comando da PM, não deveria correr atrás de mais Soldados, Cabos e Sargentos para aumentar efetivo de nossa segurança?

18. Os Restaurantes da Criança estão localizados em locais de real necessidade da população atendida?

19. Zezé Porfírio apoiará candidato próprio para a sucessão no Município ou ficará vinculado ao Deputado Inácio Franco?

20. Os Secretários Municipais agem com a devida submissão ao prefeito, ou mandam e desmandam como se fossem prefeitos?
 
Fonte:http://ronaldo79171.blogspot.com/2007_01_01_archive.html

WALTER MARTINS FERREIRA - Parabenjamim- Festival de Palhaço de Pará de Minas

Parabenjamim- Festival de Palhaço de Pará de Minas


Escrito por José Roberto Pereira Qua, 09 de Junho de 2010 11:18

O Parabenjamim- Festival de Palhaço de Pará de Minas foi criado no ano de 2009 pela secretaria municipal de Cultura de Pará de Minas, tendo a pasta como secretária a senhora Maiza Lage Barbosa e como diretor do Departamento de Cultura este colunista. O objetivo ao criar o festival foi o de fazer uma justa homenagem ao pará-minense mais ilustre nas artes circense e cênica, Benjamim de Oliveira.

O Parabenjamim nasceu para suprir uma necessidade que se arrastava há décadas, a de tornar conhecida dos pará-minenses a trajetória de Benjamim de Oliveira. A cidade, até então, tinha como menção ao artista apenas o nome de uma rua, a Artista Benjamim de Oliveira, localizada no bairro Nossa Senhora das Graças, denominada por uma lei municipal de 1958, cujo projeto foi assinado pelo vereador Walter Martins Ferreira na administração do prefeito Osvaldo Lage.

Após essa homenagem no início da segunda metade do século passado, o nome de Benjamim de Oliveira caiu no campo ingrato do esquecimento e passou longos anos na escuridão e no silêncio.

Nos meados da década de 1990, o bailarino Nilton Araújo trouxe a Pará de Minas um grupo de palhaços da Cia Stronzo, da cidade de Ouro Preto, promovendo um evento no Parque do Bariri com o objetivo de divulgar o nome de Benjamim. O evento, embora tenha feito um “barulhinho bom”, não conseguiu conscientizar a população da importância desse grande artista.

Após essa data, novamente um longo período de amnésia em relação a Benjamim abateu-se sobre a cidade de Pará de Minas e seus habitantes até os idos de 1997, quando dois fatos importantes mudaram esse cenário: o lançamento do livro Circo-Teatro: Benjamim de Oliveira e a teatralidade circense no Brasil, no estado de São Paulo, da pesquisadora e escritora Erminia Silva, e a apresentação da peça teatral Circo-Teatro Benjamim, do grupo NEPAA (Núcleo de Estudo das Performances Afro-ameríndias), do Rio de Janeiro. O nome de Benjamim ressurge como uma luz que se acende clareando um imenso picadeiro, anunciando uma comovente saga a ser contada. Os poucos habitantes que tiveram acesso a esses dois fatos se emocionaram com a trajetória do grande homem por trás do palhaço e se encantaram com as estripulias de palhaço desse notável homem.

No ano de 2008, o escritor e blogueiro Luiz David convidou vários escritores para escreverem histórias que construíram os 150 anos de emancipação político-administrativa de Pará de Minas, que se completariam em 2009. Fui convidado para escrever um artigo sobre a vida do artista Benjamim de Oliveira e do escultor e ceramista Sica (Raimundo Nogueira de Faria). A vida dos dois se entrelaçou no maravilhoso mundo das artes, pois ambos se tornaram artistas muito conhecidos e eram autodidatas.

Desde meados de 1990, eu vinha pesquisando sobre Benjamim de Oliveira e, no início de 2009, quando me encontrava em pleno exercício da escrita do artigo sobre ele, fui tomado de surpresa quando fui convidado pela secretária de Cultura Maiza Lage Barbosa para assumir o Departamento de Cultura, hoje Departamento de Ação e Difusão Cultural. Tão logo assumimos, começamos a mapear os grupos artísticos locais, nossos produtos culturais, nossas histórias. Em meio a esses estudos para divulgar a cultura local, uma das propostas que surgiram foi a criação do Parabenjamim- Festival de Palhaço de Pará de Minas.

A primeira edição do Parabenjamim aconteceu nos dias 9, 10 e 11 de junho de 2009. Para que ela acontecesse, foi fundamental a contribuição do palhaço Pururuca, que há 35 anos mantém viva a arte circense por aqui, e de Sula Mavrudis, que não mediu esforços para nos colocar em contato com grupos de circo-teatro, com palhaços, donos de circo, acrobatas, malabaristas e com pesquisadores relacionados ao tema. Estiveram presentes na primeira edição o Grupo de Teatro Maracutaia e o Palhaço Pururuca (Rogério Faria), ambos de Pará de Minas; a Cia. Bobagem, o Grupo de Teatro Terceira Margem, a contadora de histórias Sula Mavrudis e a comediante Cida Mendes, todos de Belo Horizonte. Ao todo, foram cinco apresentações que aconteceram em escolas, praças e espaços alternativos, tendo o palhaço como tema. Também ocorreu um debate no Auditório 1 da Faculdade de Pará de Minas, que trouxe mais informações sobre a arte circense aos artistas e instigou o público presente a conhecer tanto o universo riquíssimo do palhaço como a vida e a obra de Benjamim de Oliveira. Nesse cenário ainda tímido, a escritora e pesquisadora Erminia Silva doou para Pará de Minas parte de um arquivo fotográfico que conseguiu reunir durante sua pesquisa para sua tese de doutorado sobre Benjamim de Oliveira. A doação resultou numa exposição no hall do prédio da Casa da Cultura durante o mês de junho e teve expressiva visitação.Todo esse acervo fotográfico foi doado para o Museu Histórico de Pará de Minas, juntamente com uma doação que a escritora pará-minense Terezinha Pereira conseguiu junto à Biblioteca Nacional, três peças do gênero circo-teatro escritas por Oliveira: A pupila do diabo, Pescadores e Barraca do cigano.

 
Talvez por falta de oportunidade, demoramos muito tempo para prestar essas homenagens ao pará-minense Benjamim Chaves, cujo nome artístico é Benjamim de Oliveira. Porém, agora, oportunamente essa injustiça foi corrigida! Depois do lançamento do livro Circo-Teatro: Benjamim de Oliveira e a teatralidade circense no Brasil, da passagem do grupo de teatro do NEPAA, do Rio de Janeiro, com a peça Circo-Teatro Benjamim, e da primeira edição do Parabenjamim- 1º Festival de Palhaço de Pará de Minas, a cidade e seus habitantes incorporaram em suas rodas de prosa a fascinante trajetória do menino negro, escravo alforriado que nasceu em 1870 em Pará de Minas e fugiu com o circo e, predestinado ou não, se tornou um dos maiores artistas do Brasil.

Fonte:http://www.circonteudo.com.br/v1/index.php?option=com_content&view=article&id=2817:parabenjamim-festival-de-palhaco-de-para-de-minas&catid=253:jose-roberto-pereira&Itemid=580