Maria De Lourdes Leoncio Macedo
Sem sombra de dúvidas, a História veste-se da maior pureza que há para assim tratar de seus processos. Pode-se questionar como o homem tem manuseado a historiografia, mas ela, em sua essência, sempre será verdadeira, criteriosa e sucessiva em seus afazeres, ou seja, causa e conseqüência.
No entanto, sabemos que o homem cria, recria, constrói e infelizmente destrói ao seu bel prazer. E aí, leitor, você me questionaria: mas a história sem o homem não existe, pois é ele objeto da história, parte integrante dela. E eu lhe repondo: a História tem sua autonomia, ela é viva, consciente de seu papel e o homem pode até apropriar-se dela de forma brutal, mas jamais a história deixará de revelar e cumprir o seu verdadeiro papel. Ela nunca se omite, no entanto, em certos momentos, períodos, os homens não estão preparados para conhecer determinadas realidades e, quando estiverem com padrões de conhecimento adequado, serão oportunizados, instrumentos ou acontecimentos capazes de esclarecer, apontar, discutir e disseminar tal fato.
Veja bem: no currículo de história comumente tem sido abordada a questão étnica da formação populacional do Brasil. Sempre se tratou do conteúdo, no entanto, em cada época, a visão do tratamento vem moldando-se. No passado, alguns livros didáticos apresentavam o negro de forma severamente preconceituosa, depois passou a ser apresentado de forma mais amena - com preconceitos camuflados - e nos últimos anos temos buscado conscientizar da importância e do papel do negro na história de nosso país, mostrando que independente da cor que temos hoje, somos negros, brancos e índios.
Lembrando que não se pode exigir algo sem antes ter oportunizado o conhecimento daquilo. Como querer que uma população reconheça o papel fundamental do africano na constituição social, política, econômica e cultural do Brasil, se ele próprio, na grande maioria das vezes, enquanto descendente não se reconhece? Como exigir de uma população que sempre foi educada com visão preconceituosa pelos seus educadores, mudarem de perspectiva de uma hora para a outra?
Historicamente, sempre tivemos uma postura permissiva de descriminação e racismo que atinge toda a população afrodescendente, veja a citação do Decreto nº 1331 de 17/02/1854 – “estabelecia que nas escolas públicas não seriam admitidos escravos, e a previsão de instrução para adultos negros dependia da disponibilidade de professores e assim sucessivamente”. Apenas com a constituição de 1988, 134 anos depois, o Brasil busca efetivar a democracia e diminuir o racismo e o preconceito, digo diminuir, pois acabar totalmente é ainda, um tanto utópico.
Com a Lei 10.639, de 09 de janeiro de 2003, institui-se a obrigatoriedade do ensino da História da África e dos Africanos na educação básica. Teve-se que implantar uma Lei, objetivando que não mais ocorra uma má-formação histórica em relação à etnia africana.
Já que o erro foi cometido em nossa formação hoje, conscientes de nosso papel, busquemos agir, entendendo a Lei, colocando-a em prática. Com certeza, os nossos educandos serão cidadãos menos preconceituosos que nós, pois entenderão a história da África, bem como a importância do africano formador de uma nova sociedade, miscigenada de cultura, de cor, de práticas, de raças, de credos e de uma beleza inigualável, Brasil pátria do mundo.
Maria de Lourdes Leoncio Macedo é graduada em História pela UEM- Paraná e com Especialização em História e Sociedade. Sua atuação concentra-se na Educação Básica, atuando atualmente como Coordenadora Regional de Educação na Diversidade da Regional de Ensino de Gurupi, Estado do Tocantins-SEDUC, Secretaria de Educação e Cultura do TO. A Coordenação atende os programas educacionais.
Fonte: Profissão Mestre REVISTA



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