Postado por Paulo Coelho em 04 de junho de 2010 às 00:02
Eu sempre quis conhecer a mulher que, na noite do Massacre da Candelária, surgiu como o anjo da guarda das crianças de rua. Durante um jantar, alguém me apresentou: “esta é Ivonne”. Eu a cumprimentei formalmente, e continuei conversando com meus amigos. Ela, sem jeito, se afastou. Quando íamos saindo da festa, minha esposa comentou: “então, gostou de conhecer a mulher que você tanto admira?”
E eu me dei conta do meu erro.
Na mesma hora, procurei-a entre os convidados – e Ivonne Bezerra de Mello ficou sabendo da minha admiração por sua resistência e coragem.
Mas, ao voltar para casa, eu pensava: quantas vezes em minha vida estive diante de algo que era importante para mim, e não percebi?Os ossos do ancestral
Postado por Paulo Coelho em 07 de junho de 2010 às 00:03
Havia um rei da Espanha que se orgulhava muito de seus ancestrais, e que era conhecido por sua crueldade com os mais fracos.Certa vez, caminhava com sua comitiva por um campo de Aragón, onde anos antes havia perdido seu pai em uma batalha, quando encontrou um homem santo remexendo uma enorme pilha de ossos.
- O que você está fazendo aí? – perguntou o rei.
- Honrada seja Vossa Majestade – disse o homem santo. – Quando soube que o rei de Espanha vinha por aqui, resolvi recolher os ossos de vosso falecido pai para entregar-vos. Entretanto, por mais que procure, não consigo achá-los: eles são iguais aos ossos dos camponeses, dos pobres, dos mendigos e dos escravos.
Persistindo no caminho
Postado por Paulo Coelho em 10 de junho de 2010 às 00:13
Joseph Campbell nos diz: “o primeiro choque do homem moderno com o mundo mágico acontece quando ele descobre que Papai Noel não existe”. Campbell, um dos maiores estudiosos de mitologia de nossos tempos, não estava brincando. Quando nos damos conta que toda a fantasia criada em torno dos presentes de Natal era apenas fruto de uma tradição, achamos que todas as tradições são iguais.
Se Papai Noel não existe, é possível que não exista Deus, anjo da guarda, vida após a morte Com medo de nova desilusão, empobrecemos nosso mundo, e desconfiamos de qualquer milagre.
Não somos mais crianças. Podemos conviver com as decepções inerentes ao próprio caminho espiritual – aliás, este é um caminho cheio de decepções.
Aprendendo a ser o outro
Postado por Paulo Coelho em 12 de junho de 2010 às 00:08
Postado por Paulo Coelho em 12 de junho de 2010 às 00:08
Estamos tão centrados naquilo que julgamos ser a melhor atitude, que esquecemos algo muito importante: para atingir nossos objetivos, precisamos de outras pessoas. Portanto, é necessário não apenas observar o mundo, mas imaginar-se na pele dos outros, e saber como acompanhar seus pensamentos.
Isso vale para o amor e para a guerra.Fonte: Coluna Paulo Coelho - G1-portal de notícia



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