Opinião
Gosto muito de Cristovam Buarque e concordo plenamente sobre o exposto. Mas gostaria de compartilhar uma experiência :Assisti uma palestra em um Fórum Internacional em BH para aproximadamente 3000 profissionais na área da educação, a maioria professores. Em certo momento da oratória, o palestrante perguntou quem tinha filho com idade escolar, lembro que a maioria dos presentes levantaram a mão. A seguir ele pediu para que levantassem a mão quem tinha filhos estudando em escola pública e para minha surpresa uma minoria levantou a mão. Ou seja, se nós da educação não confiamos no sistema e na competência profissional do "outro", quem poderá acreditar? O exemplo não é tudo? Ele nos colocou em cheque e finalizou fazendo também esta analogia: será que um médico também indicaria seu filho doente para um Hospital público? Deixou-nos esta mensagem: se cada um de nós confiássemos na competência/eficiência uns dos outros , unidos poderíamos ajudar a mudar esta realidade exigindo competência e efetivo investimento na educação. Na época refleti muito sobre a questão e nunca mais esqueci a mensagem do orador.
Veja o texto abaixo:
Como melhorar a educação? Obrigando presidente, governadores, prefeitos e parlamentares a testar o ensino público - com suas próprias crianças.
por Cristovam Buarque
Quanto custa estudar no Brasil? Depende. Se você estiver entre os 20% mais ricos da população, vai chegar ao fim de 20 anos de colégio e faculdade com uma formação de aproximadamente R$ 250 mil. Isso significa cerca de R$ 1 mil por mês. Nessa conta entram o dinheiro que você tira do próprio bolso para pagar as mensalidades e a contribuição que o governo faz (com investimento em universidades estatais e deduções de imposto). Agora, se você fizer parte dos outros 80%, sua educação receberá um investimento bem menor: o equivalente a R$ 116 por mês. Esse é o total gasto pelo país por aluno para manter as escolas públicas, onde não se passa muito tempo. Em média, essa parte da população completa só 5 anos de estudo formal, geralmente entre os 7 e os 11 anos de idade.
Ou seja: enquanto ricos estudam em escolas de qualidade por um longo tempo, o resto estuda por pouco tempo em escolas ruins. Como senador, tenho um projeto que pretende amenizar essa desigualdade. Minha proposta é a de que políticos eleitos - vereadores, prefeitos, deputados, senadores e o presidente - fiquem obrigados a matricular seus filhos em escolas públicas. Caso contrário, perderão seu mandato. O projeto já foi apresentado e agora espera avaliação do Senado e da Câmara.
No Brasil do passado, só classes com influência tinham vaga nas boas escolas públicas. Filhos de pobres não estudavam, ou frequentavam colégios particulares mantidos pela Igreja Católica, como seminários. Hoje filhos de eleitos estão entre os 20% mais ricos, em geral. E vão a colégios particulares.
Em lugares como Reino Unido e Cingapura, políticos nem pensam em colocar os filhos em escolas particulares. Os eleitores não aceitariam essa escolha, porque ela significaria ignorar a boa qualidade das escolas públicas de lá. Se um político é descoberto matriculando o filho no ensino privado, acaba nos jornais. Tem de se desculpar publicamente e transferir a criança para uma instituição pública.
Se políticos brasileiros tiverem de matricular os filhos em escolas públicas, elas receberão mais atenção dos governantes. O resultado será um ensino de qualidade para todos. E um país mais próximo dos princípios republicanos, com uma sociedade unida, sem divisão entre aristocracia e plebe. Há quem diga que essa obrigação fere a liberdade do político. Mas todo cidadão é livre para não ser candidato. Se ele opta pela vida pública, deve assumir obrigações. Esse seria só mais um de seus compromissos com os eleitores, com a nação e com a República.
*Cristovam Buarque é professor de economia da Universidade de Brasília e senador pelo PDT/DF. Os artigos aqui publicados não representam necessariamente a opinião da SUPER.
REFERÊNCIA: http://super.abril.com.br/alimentacao/filhos-politicos-escolas-publicas-5447. Acessado em 06/04/2010.



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