"Ame a todos, confie em poucos. Não seja injusto com ninguém." William Shakespeare

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Senhor esteja à minha frente p/ me iluminar, atrás p/ me proteger e ao meu lado p/ me amparar.

Senhor esteja à minha frente p/ me iluminar, atrás p/ me proteger e ao meu lado p/ me amparar.
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"Senhor, dê-me serenidade para aceitar as coisas que não posso mudar,a coragem para mudar as coisas que não posso aceitar e a sabedoria para esconder os corpos daquelas pessoas que eu tive que matar por estarem me enchendo o saco. Também, me ajude a ser cuidadoso com os calos em que piso hoje, pois eles podem estar conectados aos sacos que terei que puxar amanhã. Ajude-me, sempre, a dar 100% no meu trabalho... - 12% na segunda-feira, - 23% na terça-feira, - 40% na quarta-feira, - 20% na quinta-feira, - 5% na sexta-feira. E... Ajude-me sempre a lembrar, quando estiver tendo um dia realmente ruim e todos parecerem estar me enchendo o saco,que são necessários 42 músculos para socar alguém e apenas 4 para estender meu dedo médio e mandá-lo para aquele lugar... Que assim seja!!! Viva todos os dias de sua vida como se fosse o último. Um dia, você acerta. Luís Fernando Veríssimo

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Mulheres Independentes “Sou dona de mim, da minha vida e do meu destino Sigo meu bom senso, minha razão, minha emoção e minha sede de ser livre Bom é viver assim, sem amarras, sem apego ao passado e Sem preocupação com questões que ainda não foram superadas, Pois o mundo ainda precisa evoluir muito, há muito o que Superar... Eu penso, reflito e analiso Sou um ser em constante mutação Sou “Eu Mesma”, mas não sou “Sempre a Mesma” Não sou normal, pois ser normal é chato É repetitivo, e EU gosto de transformações Gosto de olhar por vários prismas e Mudar de opinião, de gosto, etc. A mudança não é somente física, Mas também é abstrata e intrínseca A beleza e juventude se vão Mas o conteúdo da alma permanece ...” texto de Lúcia Martins filhos:não etnia: todas religião:Cristão/outro visão política:depende humor: cáustico orientação sexual: heterossexual estilo: casual fumo: não bebo:de vez em quando, adoooro vinho animais de estimação: adoro cães

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UM ATO DE AMOR


Um dia meu corpo estará deitado sobre um lençol branco, cuidadosamente introduzido sob os quatro cantos de um colchão, num hospital extremamente atarefado com os que ainda vivem e com os que estão morrendo;
Em um dado momento, um médico dirá que meu cérebro deixou de funcionar e que minha vida se extinguiu.
Quando isso acontecer, não tentem instalar vida artificial em meu corpo, com o uso de uma máquina e não chamem a isso de meu “leito de morte” deixem que ele seja chamado de" leito de vida', e deixem meu corpo retirado dele para ajudar os outros levarem vidas mais felizes.
Dêem minha visão a alguém que jamais viu o raiar do sol, o rosto de uma criança ou o amor nos olhos de uma outra pessoa.
Dêem meu coração a uma pessoa cujo coração apenas experimentou dias infindáveis de dor.Dêem meu coração ao jovem que foi retirado dos destroços de seu carro, para que ele possa viver para ver seus netos brincarem.
Dêem meus rins a alguem que depende de uma máquina para viver de semana a semana.Retirem meus ossos, cada músculo cada fibra e nervo do meu corpo e encontrem um meio para fazer uma criança aleijada caminhar, explorarem cada canto do meu cérebro.Retirem minhas células se necessário e deixem crescer para que algum dia um menino mudo possa gritar com o canto de um pássaro e uma menina surda possa ouvir o barulho da chuva de encontro à sua janela.Queimem o que restar de mim e espalhem cinzas ao vento para ajudar as flores a brotarem.
Se tiverem que enterrar algo, que sejam os meus erros, minhas fraquezas e todo o mal que fiz contra os meus semelhantes.
Dêem meus pecados ao diabo e dêem minha alma a Deus.Se por acaso desejarem lembrar-se de mim façam-no com uma ação ou palavra amiga a alguém que precisa de vocês.

Se fizerem tudo que pedi, estarei vivo para sempre...

Fonte: autor desconhecido.
Quem souber o autor do texto por gentileza informar-me para que eu possa dar-lhe o devido crédito.

Aos especias ... Clarice Lispector

"Já escondi um AMOR com medo de perdê-lo, já perdi um AMOR por escondê-lo.
Já segurei nas mãos de alguém por medo, já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos.
Já expulsei pessoas que amava de minha vida, já me arrependi por isso.
Já passei noites chorando até pegar no sono, já fui dormir tão feliz, ao ponto de nem conseguir fechar os olhos.
Já acreditei em amores perfeitos, já descobri que eles não existem.
Já amei pessoas que me decepcionaram, já decepcionei pessoas que me amaram.
Já passei horas na frente do espelho tentando descobrir quem sou, já tive tanta certeza de mim, ao ponto de querer sumir.
Já menti e me arrependi depois, já falei a verdade e também me arrependi.
Já fingi não dar importância às pessoas que amava, para mais tarde chorar quieta em meu canto.
Já sorri chorando lágrimas de tristeza, já chorei de tanto rir.
Já acreditei em pessoas que não valiam a pena, já deixei de acreditar nas que realmente valiam.
Já tive crises de riso quando não podia.
Já quebrei pratos, copos e vasos, de raiva.
Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse.
Já gritei quando deveria calar, já calei quando deveria gritar.
Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns, outras vezes falei o que não pensava para magoar outros.
Já fingi ser o que não sou para agradar uns, já fingi ser o que não sou para desagradar outros.
Já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um amigo feliz.
Já inventei histórias com final feliz para dar esperança a quem precisava.
Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade... Já tive medo do escuro, hoje no escuro "me acho, me agacho, fico ali".
Já cai inúmeras vezes achando que não iria me reerguer, já me reergui inúmeras vezes achando que não cairia mais.
Já liguei para quem não queria apenas para não ligar para quem realmente queria.
Já corri atrás de um carro, por ele levar embora, quem eu amava.
Já chamei pela mamãe no meio da noite fugindo de um pesadelo. Mas ela não apareceu e foi um pesadelo maior ainda.
Já chamei pessoas próximas de "amigo" e descobri que não eram... Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada e sempre foram e serão especiais para mim.
Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração!
Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente!
Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra SEMPRE!
Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes.
Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco q eu vou dizer:
- E daí? EU ADORO VOAR!
Clarice Lispector

Canção das Mulheres - Lia Luft

Que o outro saiba quando estou com medo, e me tome nos braços sem fazer perguntas demais. Que o outro note quando preciso de silêncio e não vá embora batendo a porta, mas entenda que não o amarei menos porque estou quieta. Que o outro aceite que me preocupo com ele e não se irrite com minha solicitude, e se ela for excessiva saiba me dizer isso com delicadeza ou bom humor. Que o outro perceba minha fragilidade e não ria de mim, nem se aproveite disso. Que se eu faço uma bobagem o outro goste um pouco mais de mim, porque também preciso poder fazer tolices tantas vezes. Que se estou apenas cansada o outro não pense logo que estou nervosa, ou doente, ou agressiva, nem diga que reclamo demais. Que o outro sinta quanto me doia ideia da perda, e ouse ficar comigo um pouco - em lugar de voltar logo à sua vida. Que se estou numa fase ruim o outro seja meu cúmplice, mas sem fazer alarde nem dizendo ''Olha que estou tendo muita paciência com você!''Que quando sem querer eu digo uma coisa bem inadequada diante de mais pessoas, o outro não me exponha nem me ridicularize. Que se eventualmente perco a paciência, perco a graça e perco a compostura, o outro ainda assim me ache linda e me admire. Que o outro não me considere sempre disponível, sempre necessariamente compreensiva, mas me aceite quando não estou podendo ser nada disso. Que, finalmente, o outro entenda que mesmo se às vezes me esforço, não sou, nem devo ser, a mulher-maravilha, mas apenas uma pessoa: vulnerável e forte, incapaz e gloriosa, assustada e audaciosa - uma mulher.

Canção na plenitude. Lya Luft/ Magníco texto, maravilhosa mulher.

Não tenho mais os olhos de menina nem corpo adolescente, e a pele translúcida há muito se manchou. Há rugas onde havia sedas, sou uma estrutura agrandada pelos anos e o peso dos fardos bons ou ruins.(Carreguei muitos com gosto e alguns com rebeldia.)
O que te posso dar é mais que tudo o que perdi: dou-te os meus ganhos.
A maturidade que consegue rir quando em outros tempos choraria,busca te agradar quando antigamente quereria apenas ser amada.
Posso dar-te muito mais do que beleza e juventude agora: esses dourados anos me ensinaram a amar melhor, com mais paciência e não menos ardor, a entender-te se precisas, a aguardar-te quando vais,a dar-te regaço de amante e colo de amiga,e sobretudo força — que vem do aprendizado.

Isso posso te dar: um mar antigo e confiável cujas marés — mesmo se fogem — retornam,cujas correntes ocultas não levam destroços mas o sonho interminável das sereias.

Texto acima foi extraído do livro "Secreta Mirada", Editora Mandarim - São Paulo, 1997, pág. 151. Lya Luft

Para se roubar um coração

Para se roubar um coração, é preciso que seja com muita habilidade, tem que ser vagarosamente, disfarçadamente, não se chega com ímpeto, não se alcança o coração de alguém com pressa. Tem que se aproximar com meias palavras, suavemente, apoderar-se dele aos poucos, com cuidado. Não se pode deixar que percebam que ele será roubado, na verdade, teremos que furtá-lo, docemente. Conquistar um coração de verdade dá trabalho, requer paciência, é como se fosse tecer uma colcha de retalhos, aplicar uma renda em um vestido, tratar de um jardim, cuidar de uma criança. É necessário que seja com destreza, com vontade, com encanto, carinho e sinceridade. Para se conquistar um coração definitivamente tem que ter garra e esperteza, mas não falo dessa esperteza que todos conhecem, falo da esperteza de sentimentos, daquela que existe guardada na alma em todos os momentos. Quando se deseja realmente conquistar um coração, é preciso que antes já tenhamos conseguido conquistar o nosso, é preciso que ele já tenha sido explorado nos mínimos detalhes, que já se tenha conseguido conhecer cada cantinho, entender cada espaço preenchido e aceitar cada espaço vago. ...e então, quando finalmente esse coração for conquistado, quando tivermos nos apoderado dele, vai existir uma parte de alguém que seguirá conosco. Uma metade de alguém que será guiada por nós e o nosso coração passará a bater por conta desse outro coração. Eles sofrerão altos e baixos sim, mas com certeza haverá instantes, milhares de instantes de alegria. Baterá descompassado muitas vezes e sabe por que? Faltará a metade dele que ainda não está junto de nós. Até que um dia, cansado de estar dividido ao meio, esse coração chamará a sua outra parte e alguém por vontade própria, sem que precisemos roubá-la ou furtá-la nos entregará a metade que faltava. ... e é assim que se rouba um coração, fácil não? Pois é, nós só precisaremos roubar uma metade, a outra virá na nossa mão e ficará detectado um roubo então! E é só por isso que encontramos tantas pessoas pela vida a fora que dizem que nunca mais conseguiram amar alguém... é simples... é porque elas não possuem mais coração, eles foram roubados, arrancados do seu peito, e somente com um grande amor ela terá um novo coração, afinal de contas, corações são para serem divididos, e com certeza esse grande amor repartirá o dele com você. Luís Fernando Veríssimo

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segunda-feira, 21 de março de 2011

MENDIGOS DE ALMA Flávio Marcus da Silva

MENDIGOS DE ALMA


Ultimamente tenho refletido muito sobre Espiritualidade, essa dimensão da vida que nos liga ao transcendente, àquilo que está além da ordem material, levando-nos, muitas vezes, a questionar nossos próprios comportamentos e convicções. Minha reflexão, no entanto, encontra-se ainda em fase inicial, carecendo do auxílio de pessoas mais versadas do que eu nessa matéria e de novas leituras, o que, acredito, poderá amadurecer em mim essa vontade que eu sinto de buscar o que realmente importa na vida: o aperfeiçoamento espiritual através do amor, da caridade, da humildade, da generosidade e do trabalho honesto e solidário.
No mundo de hoje, somos constantemente bombardeados com imagens e propagandas que apelam para aquilo que há de mais egoísta em nós, sobretudo a necessidade de estarmos sempre em destaque, seja pelo dinheiro, pelo poder ou pelo sucesso profissional.
No entanto, em minhas leituras, tenho aprendido que, para Jesus Cristo, no Reino de Deus não existe espaço para o orgulho, para os que exaltam a si próprios; e que, segundo seus ensinamentos, devemos amar o próximo sem distinção de raça, credo, nacionalidade ou qualquer outra, pois todos somos irmãos e filhos do mesmo Pai.
É triste perceber o quão distantes estão esses ensinamentos da vida que levamos nos dias de hoje. Já me irritei várias vezes com pessoas que se julgam importantes demais e que ficam o tempo todo se vangloriando disto e daquilo, apontando os erros e defeitos dos outros, para diminuí-los, enquanto se colocam como donos da razão. Mas depois, ao refletir sobre mim mesmo, percebi que a irritação que eu sentia diante do egocentrismo alheio era uma reação do meu próprio ego, que queria que EU me destacasse e tivesse razão, não o outro. Reconhecer isso, a meu ver, já foi um grande avanço, mas eu sentia que era preciso mais: era preciso superar de vez essas “paixões violentas por coisa nenhuma”, como dizia Fernando Pessoa.
Superar de vez essa vontade de me destacar e ter razão eu ainda não consegui, mas um avanço muito significativo a caminho dessa superação eu dei quando olhei nos olhos de uma pessoa [que se julgava muito importante] e vi neles o brilho opaco que um espírito ainda muito apegado a títulos, reconhecimento público e dinheiro deixa escapar.
Isso aconteceu quando me vi enredado numa trama tecida ardilosamente por essa pessoa, que queria, de todo jeito, colocar-se numa posição de superioridade incontestável frente aos outros. Ao cair na sua rede, percebi que argumentar não adiantaria nada. Lutar contra sua vasta experiência na arte da enganação seria uma batalha perdida: como se um único soldado [maltrapilho e desarmado] se lançasse contra o exército inimigo em campo aberto, vislumbrando a morte de frente, sem medo, mas consciente da derrota. No entanto, foi justamente a aceitação da minha derrota que me deu a vitória... Não sobre a pessoa em questão, que manteve a sua posição de superioridade, mas sobre mim mesmo. Ao olhar nos olhos daquele general vitorioso e perceber neles o prazer que aquele momento lhe proporcionava, senti, ao invés de medo ou nojo, uma sensação de paz espiritual muito grande [embora depois eu tivesse que desabafar em lágrimas os resíduos de indignação que me haviam restado daquele ridículo episódio]. Lembro-me que, espiritualmente, senti-me alçado a um patamar mais elevado que o do general, que, no entanto, para si próprio, estava muito acima de mim.
Hoje, depois de algumas leituras muito enriquecedoras, entendo que a minha sensação de elevação naquele momento pode ser facilmente explicada pelos sábios ensinamentos de Cristo [abraçados também pelo Espiritismo], que nos revelam o seguinte: o trabalho, a vitória e o sucesso no plano material e corpóreo não têm os mesmos significados no plano espiritual. Aquela paz que eu senti naquele momento talvez tenha sido o prenúncio do que em breve eu descobriria com as minhas leituras. Foi o início da minha vitória sobre a angústia da necessidade de aprovação e de reconhecimento por parte dos outros. Foi como se do meu inconsciente viesse a mensagem: “Não ligue para isso. Não é importante. Trabalhe com amor. Faça o bem. Não se preocupe com o que as pessoas pensam ou falam de você. Não busque recompensas efêmeras nestes círculos de vibrações inferiores, onde, na maioria das vezes, os vícios da ambição e da dissimulação são exaltados em detrimento do que realmente tem valor para Deus, que te ama e estará sempre contigo”.
Senti como se aos poucos eu estivesse deixando para trás um outro eu. Vi-me mais ou menos na pele daquele personagem do livro “O emblema vermelho da coragem”, o soldado praça gritalhão. Ele costumava ser visto pelos colegas como “um meninote espalhafatoso, dono de uma audácia advinda da inexperiência, impulsivo, teimoso, ciumento e cheio de uma coragem de latão”. No entanto, seu comportamento mudou notavelmente após uma grande batalha, à qual sobreviveu: “Envolto numa perfeita segurança, demonstrava agora uma fé serena em seus propósitos e habilidades. Essa firmeza interior lhe permitia, naturalmente, ficar indiferente às pequenas alfinetadas que os outros lhe dirigiam”.
Como eu disse, a verdadeira vitória, a superação plena do orgulho, do egoísmo e do egotismo próprios dos círculos carnais, ainda está muito distante de mim; mas considero essa transformação que eu vivi [e continuo vivendo] um passo muito importante na minha trajetória terrena.
Hoje eu consigo perceber mais claramente que os valores da espiritualidade não são os mesmos que costumamos exaltar no mundo material. Perdemos muito tempo na crosta terrestre em vaidades inúteis, gastando preciosa energia na adoração ridícula de nós mesmos, de nossos filhos e amigos. O que importa, para o aperfeiçoamento espiritual, é a humildade, a caridade, o amor, a doação [sem receber nada em troca, nem favores, nem dinheiro], o trabalho honesto e justo...
Com outras palavras, André Luiz, no livro “Nosso Lar”, ensina-nos que as mercadorias propriamente terrenas não têm o mesmo valor nos planos do Espírito. Triste é perceber, no entanto, que milhares de homens e mulheres cegos de ambição e egoísmo desencarnam todos os dias sem compreender isso. “Foram negociantes imprevidentes”, conta-nos André Luiz: “Esqueceram de cambiar as posses materiais em créditos espirituais. Não aprenderam as mais simples operações de câmbio no mundo. Quando iam a Londres, trocavam contos de réis por libras esterlinas; entretanto, nem com a certeza matemática da morte carnal se animaram a adquirir os valores da espiritualidade. Agora... que fazer? Temos os milionários das sensações físicas transformados em mendigos da alma”.
Mas não é fácil perceber essa verdade. Como generais em campos de batalha, encarcerados em suas opiniões próprias, os homens traçam estratégias de vitória, manipulam e humilham os outros, e chegam muitas vezes a afirmar: “Estou com a consciência tranquila”. Ora, mas o que é essa consciência senão um reflexo de sentimentos mundanos, na maioria das vezes muito mais sensíveis às vibrações inferiores do que às superiores?
No seu impressionante livro “O homem duplicado”, José Saramago elucida muito bem essa questão da consciência. Ali, numa passagem, o narrador explica que “uma mente dominada por sentimentos inferiores é capaz de obrigar a própria consciência a pactuar com eles, forçando-a, ardilosamente, a pôr as piores ações em harmonia com as melhores razões e a justificá-las umas pelas outras, numa espécie de jogo cruzado”.
A meu ver, é assim que nos transformamos em mendigos da alma nos planos do Espírito.

Flávio Marcus da Silva – HP: www.nwm.com.br/fms
Bibliografia:
CRANE, Stephen. O emblema vermelho da coragem (1895). São Paulo: Penguin Classics/Companhia das Letras, 2010.
SARAMAGO, José. O homem duplicado. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.
TOLSTOY, Leo. The Gospel in Brief. University of Nebraska Press, 1997.
XAVIER, Francisco Cândido (pelo Espírito André Luiz). Nosso Lar: a vida no Mundo Espiritual. 61ª edição. Federação Espírita Brasileira, 2010.

fonte: http://www.grnews.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=22371%3Amendigos-da-alma&catid=60%3Aflavio-marcus&Itemid=166 Acessado em 21/03/11

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